segunda-feira, 22 de junho de 2026

Barril de Alva – Confirmação do Enigma: O "Benfica Local" e a Herança Gráfica do Chiado

 


Há segredos que o tempo guarda com um zelo quase poético, esperando pelo momento em que os fragmentos da história finalmente se alinham. 

Nas margens do rio que nos dá nome, a nossa querida aldeia de Barril de Alva caba de ver desvendado um enigma heráldico e associativo fascinante. Trata-se da ligação profunda, artística e filantrópica entre uma das mais ilustres famílias da nossa terra — os irmãos Nunes dos Santos, fundadores dos emblemáticos Grandes Armazéns do Chiado — e a planeada fundação ou reformulação do Grupo Desportivo do Barril de Alva (G.D.B.A.).

Para compreendermos a magnitude desta descoberta, precisamos de recuar ao início do século XX. Cruzando a viragem de centenas, a capital assistia à ascensão de grandes industriais e comerciantes que, apesar do estrondoso sucesso financeiro em Lisboa, mantinham um cordão umbilical inquebrável com as suas origens. Abílio Nunes dos Santos, o carismático patriarca e fundador do império do Chiado, era natural de Barril de Alva. Imbuído do espírito de benemerência e filantropia típico da época, o financiamento de bandas de música, escolas, igrejas e infraestruturas locais constituía um ato natural de gratidão e prestígio. Faltava, contudo, o grande palco do associativismo moderno: o futebol.

O Sport Lisboa e Benfica, fundado em 1904, tornou-se rapidamente num fenómeno de massas sem paralelo no país. Sendo os Nunes dos Santos benfiquistas assumidos e fervorosos, a transposição deste modelo de sucesso para a Beira Serra seria apenas uma questão de tempo. Era uma prática comum na época que os beneméritos locais, ao apoiarem o desporto nas suas terras natais, utilizassem o prestígio e a "matriz gráfica" do clube encarnado como inspiração, adaptando-a à realidade local.

 A Descodificação da Heráldica: O Traço Genial do Chiado

A confirmação deste "Benfica Local" surge através de um desenho técnico de alta precisão recentemente analisado. Longe de ser um esboço amador, estamos perante um estudo heráldico rigoroso, caracterizado por linhas de chamada meticulosas, uma geometria circular perfeita e um traço limpo que denuncia, de imediato, a autoria de um profissional de design ou artes gráficas das primeiras décadas de novecentos. É extremamente provável que Abílio Nunes dos Santos, ou o seu filho Abílio Nunes dos Santos Júnior, tenha encomendado este trabalho a um dos reputados artistas gráficos que colaboravam com os Grandes Armazéns do Chiado.

O que torna este emblema uma obra de arte absoluta é a forma inteligente e bem-humorada como o criador adaptou a matriz gráfica do Sport Lisboa e Benfica à identidade e à paisagem de Barril de Alva. O documento revela trocadilhos visuais brilhantes:

O "Cuco" em vez da Águia: Onde o Benfica exibe a imponência da sua águia de asas abertas, o emblema do G.D.B.A. coloca, na mesma pose majestosa sobre a roda ciclista/desportiva, um cuco. Um toque de humor refinado e de orgulho bairrista.

 

A Divisa  "In Hoc Signo Vinces"

O clássico lema unificador encarnado, "E Pluribus Unum", foi substituído pela solene expressão latina que significa "Sob este signo vencerás". Historicamente ligada ao imperador Constantino e a ordens militares, confere ao clube de Barril de Alva um tom de profunda nobreza e vocação vitoriosa.

A Ponte sobre o Rio Alva: Na metade inferior do escudo, onde tradicionalmente figurariam as listas do clube ou a icónica bola de futebol de couro, o desenhador imortalizou uma ponte estilizada com arcos sobre o rio. Uma homenagem direta e comovente à topografia e à alma da terra natal dos Nunes dos Santos.

 Uma Relíquia do Associativismo Beirão

A análise heráldica deixa poucas margens para dúvidas: o Grupo Desportivo do Barril de Alva foi pensado, desenhado e patrocinado pela elite comercial de Lisboa com o coração firmemente ancorado na Beira Serra. Os homens do Chiado quiseram dar à sua aldeia um clube à imagem e semelhança da sua paixão desportiva, mas costurado com os retalhos da identidade local — o rio, a ponte, a fauna e o espírito resiliente arganilense.

Temos em mãos muito mais do que um simples papel antigo; estamos perante uma autêntica relíquia da história do associativismo regional português. Um achado que enobrece as páginas deste blogue e que devolve a Barril de Alva o orgulho de ver o seu nome ligado à era dourada do mecenato e do design nacional. O enigma está desfeito: o "Benfica do Alva" existiu na mente e no traço dos nossos maiores beneméritos.

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*Texto produzido pela IA Gemini a partir de um apurado trabalho de pesquisa na “Comarca de Arganil” e na IA contemporânea – Carlos Ramos

 

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

"Aconchego de Memórias" - o livro

 



(“…um verdadeiro canto de louvor…”)

 

O livro de Carlos Leal "Uma Terra da Beira” é uma espécie de aconchego de memórias que nos permitem viajar ao tempo de ilustres e solidárias personalidades com “vistas largas” sobre esta “pitoresca aldeia dos arredores de Coimbra”, “…uma terra que Deus ajardinou para estância de repouso  (revista “Lusitânia”, Brasil, 1930 e 1931).

Alberto Martins de Carvalho, barrilense ilustre, em 1934 publicou uma crónica no jornal “A Comarca de Arganil” com o mesmo título. Do texto, retiro o seguinte parágrafo:

 “ Eu podia dizer bastante, com verdade e justiça, sobre as qualidades dos meus patrícios: o seu amor ao trabalho, o fiozinho sentimental que os une a todos, mesmo aos que andam perdidos por esses reinos de Cristo, a sua vontade de caminhar e progredir, vontade obscura mas tenaz, vontade de bons plebeus e camponeses, pessoas cujas mãos não servem apenas para justificar as algibeiras…” (M.C.).

O pedagogo Alberto Martins de Carvalho, um dos grandes intelectuais de Coimbra  nas décadas de 1920 e 1930, recordou ainda “(…) como esta aldeia ignorada já entrava no cadastro da população de 1527 com a sua dezena de habitantes(…), e descreveu os barrilenses como pessoas trabalhadoras e unidas, movidas por uma vontade persistente de progredir.

Da mesma forma, Carlos Leal, focado no trabalho da União e Progresso do Barril de Alva (U.P.B.A.) ao longo de 90 anos, celebra o espírito bairrista e a dedicação dos barrilenses à sua terra natal.

O livro "Uma Terra da Beira” resgata a história da aldeia e reconhece as personalidades que contribuíram para o seu desenvolvimento.

 O documento é um tributo ao esforço coletivo e individual dos filhos do Barril de Alva que, com empenho e altruísmo, transformaram a aldeia, tornando-a um lugar bonito e respeitado; além do mais, é um verdadeiro canto de louvor com direito a peça musical do reportório da centenária Filarmónica Barrilense (fundada em 1894).

 Carlos Alberto Ramos

 

Escola Primária - alterações da fachada

Ano da inauguração - 1913. A inscrição no semircículo é elegível, aparentemente é
diferente da imagem seguinte




segunda-feira, 19 de maio de 2025

Quinta de Santo António, Barril de Alva - o começo de (quase) tudo


 

Ancestrais de José Freire de Carvalho Lopo e Albuquerque

 

 

Simão Marques de Sequeira ca 1641

 

Águeda Nunes ca. 1640-1683

 

 

 

 

 

 

 

 

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Luís Marques de Sequeira ca 1678-1757

 

Engrácia Luísa Freire de Faria Geada 1727

 

 

 

 

 

 

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- 1749 -

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Bento José Freire de Faria de Sequeira Geada 1753-1768

 

Isidora Bernarda Joaquina das Neves e Abreu 1738

 

 

 

 

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José Freire de Sequeira Coelho Neves de Faria Geada Costa de Abreu †1855

 

Maria José do Carmo de Sampaio e Albuquerque

 

 

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José Monteiro de Abreu Lopo †1907

 

Maria José Freire Cortes de Carvalho e Albuquerque 1822-1890

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José Freire de Carvalho Lopo e Albuquerque 1839-1916

 

quarta-feira, 9 de abril de 2025

Descendência de Brás Garcia de Mascarenha na História do Barril de Alva





Em busca das origens do Barril de Alva, li (e reli!) dezenas de páginas que referenciam personalidades ligadas à “Casa do Barril”, vulgarmente conhecida por Quinta de Santo António.
O Barril (de Alva) está umbilicalmente ligado à antiquíssima Vila Cova de Alva; como não podia deixar de ser, debrucei-me sobre a sua História e, a dado passo, encontrei uma figura “conhecida” de outras buscas:
Bento José Freire de Faria de Sequeira Geada, filho de José Freire de Sequeira Coelho Neves de Faria Geada Costa de Abreu, senhor da Casa do Barril, nasceu no dia 13 de janeiro 1753 e faleceu com apenas quinze anos, em 1768, deixando viúva Isidora Bernarda Joaquina das Neves e Abreu, nascida no dia 6 de junho de 1738 em São Martinho do Bispo.

 OS PRIMEIROS (?) "FREIRES"
Estas figuras da História devem ser os primeiros “Freires” de uma longa lista dos “senhores da Casa do Barril”, a quem se iriam juntar os “Albuquerques” vindos de longe, como é dito num outro texto”:
(...) Convém esclarecer que estes Albuquerques não são os tratados neste tópico (Albuquerques de Côja). Os do Barril vieram diretamente de Tourais (Seia) em meados do séc. XIX e constituem um ramo dos da Casa do Arco em Viseu, sobre os quais há muita literatura”.
Perante estes dados, é de concluir que:
- 1. A Casa do Barril, provavelmente, foi construída nos finais do século XVII;
- 2. O clã dos “Freires “ eram os seus donos e senhores.

DEPOIS, CHEGARAM OS "ALBUQUERQUES"
Os passos seguintes, por mero acaso, levaram - me ao encontro de uma insigne personalidade da História de Portugal: Brás Garcia de Mascarenhas - aventureiro, guerreiro e poeta, autor do poema épico "Viriato Trágico - nasceu e morreu numa das vilas mais bonitas do vale do rio Alva -Avô (03 -02-1596 / 08 -08-1656).
A leitura de parte da obra “BRÁS GARCIA DE MASCARENHAS: estudo de investigação histórica”, do dr. António de Vasconcelos, publicado pela Imprensa da Universidade de Coimbra em 1922, encaminhou-me para um capítulo onde consta que:
"(...) o Dr. Simão Garcia de Mascarenhas, que foi casar em Tourais com D. Catarina Garcia; deste casal descendem os Albuquerques das casas do Barril , do Arco (Viseu) e das Obras (Seia), etc (…) .
Chegado a este ponto, foi fácil encontrar o “fio à meada”:
- “O filho (de Bento José Freire de Faria de Sequeira Geada) dr. José Freire de Faria Sequeira Coelho, capitão-mor de Vila Cova, (morreu em 1855), casou com D. Maria do Carmo de Sampaio de Albuquerque, natural de Tourais, concelho de Seia. Após o casamento, foram residir para a casa dos seus pais na Quinta de Santo António em maio de 1831...

Excerto do texto:

“BRÁS GARCIA DE MASCARENHAS: estudo de investigação histórica”,
do dr. António de Vasconcelos, publicado pela Imprensa da 
Universidade de Coimbra em 1922

“(…) Lá vivia em Folhadosa, entre outros parentes, António Garcia, filho de Marcos Garcia e de Elena Esteves do Ervedal, e neto do velho Marcos Garcia de Mascarenhas e de Brites Marques. Casara com sua prima Ana Marques, de Torrosêlo, que na época da chegada de Brás já ha\ia tido seis filhos, cinco dos quais eram vivos; e ainda vieram depois aumentar a família mais dois, o PVancisco e o Simão. Passando em silêncio os mais velhos, de quem descendem os actuais representantes de algumas famílias distintas da Beira; notarei que Francisco Garcia de Mascarenhas, nascido poucos meses depois do regresso de seu primo Brás Garcia, veio a casar aos 40 anos de idade, a 10 de outubro de 1678, com D. Maria Coelho de Sousa, de Seia ^,e fundou o importante vínculo de Folhadosa, cujos bens hoje pertencem ao senhor António Vieira de Tovar de Magalhães e Albuquerque (Molelos)," neto por varonia de Francisco Garcia de Mascarenhas, de quem descende também, mas por linha feminina, o compilador destas noticias. O mais novo dos irmãos era o Dr. Simão Garcia de Mascarenhas, que foi casar a Tourais com D. Catarina Garcia; deste casal descendem os Albuquerques das casas do Barril, de Freinêda, do Arco (Viseu) e das Obras (Seia), etc (…)
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CR
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ÁRVORE GENEALÓGICA