Mostrar mensagens com a etiqueta Batalhão Escolar. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Batalhão Escolar. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 3 de abril de 2025

Atividade do Batalhão Escolar em 1913

 

A FESTA DA ÁRVORE realizou-se pela primeira vez em Portugal no  dia 9 de Março de 1913. A Comarca de Arganil, na sua edição do dia 13 do mesmo mês, relata com pormenor o acontecimento, com honras de destaque alargado  na primeira página.


A oliveira da China, plantada no dia 9 de março de 1913, continua de pé
e faz parte das memórias de todos os alunos da Escola Primária, principalmente dos que praticavam o jogo do pião
 

No Barril, foi  assim:

“Às 11 horas do dia 9 de março de 1913, reuniram-se os alunos das duas escolas, cantando o Hino Nacional.
Em seguida, foi feita e entrega de uma bandeira ao Batalhão Escolar pelos srs Nunes dos Santos, proprietários dos Grandes Armazéns do Chiado, (um dos quais já falecido) e feita uma alocução à Bandeira pelo professor. Depois, formou o Batalhão Escolar indo em frente as meninas que conduziam as árvores, seguindo o cortejo para o terraço da nova escola, onde foram plantadas uma oliveira da China, um pessegueiro de Santo António e duas macieiras, sendo no final da plantação da cada árvore recitadas pelos alunos poesias alusivas ao ato e cantado o Hino Nacional e das Escolas – depois, alocução pelo professor e parada de ginástica sueca, voltando o cortejo à escola onde lhe foi servido um “lanche” pelo sr. Albano Nunes dos Santos e professores desta localidade. Durante o cortejo estralejaram algumas dúzias de foguetes”.

Em Pinheiro de Coja foi inaugurado o novo edifício escolar, mandado construir por iniciativa particular.
A “Comarca de Arganil” deu conta da cerimónia, salientando que, além de outros convidados, esteve presente ao ato solene o Secretário da Instrução, e “…as bem reputadas Filarmónicas de Gois e Barril, indo esta à frente dos alunos da escola da sua terra que se apresentaram uniformizados e armados, com o seu rico estandarte, o Batalhão Escolar do Barril, que fizeram a guarda de honra…”.
AIACO, no texto, refere que “muitas mais notícias relacionadas com o Batalhão Escolar podíamos trazer ao conhecimento dos nossos conterrâneos, mas o que escrevemos dá uma ideia, embora resumida, do que foi esta iniciativa junto dos alunos da escola do Barril, escola sediada na casa do Sr. José Monteiro (1)…”.
AIACO termina a crónica com a informação de que “o dr. Alberto Martins de Carvalho, nosso ilustre conterrâneo e que durante anos foi conceituado professor na Universidade de Coimbra e nos liceus de muitas cidades do País, foi o primeiro comandante do Batalhão Escolar do Barril”.

O espaço do rés do chão da casa, durante largo tempo, foi utilizado como “sala de ensaio” da Filarmónica e Escola Primária até à inauguração do majestoso edifício escolar mo dia 8 de junho de 1913

(1) José Monteiro de Carvalho e Albuquerque, senhor da Casa do Barril, fundou a Sociedade Filarmónica Barrilense em 5 de novembro 1894, (…) e mandou construir um bonito e airoso edifício para nele habitar – infelizmente tal nunca aconteceu.
*
Os textos en itálico e as referências ao Batalhão Escolar fazem parte da  crónica "Presença do Barril de Alva", escrita por António Inácio Alves Correia de Oliveira - AIACO

sexta-feira, 28 de março de 2025

Os meninos do Batalhão Escolar do Barril (de Alva)

Escola Primária do Barril (de Alva)
inaugurada no dia 8 de junho de 1913

Na escola primária, aos 8 anos, aprendi a ler, escrever e a fazer contas - a reboque dos ensinamentos caseiros, as matérias não eram de todo desconhecidas, graças aos ensinamentos da avó Virgínia e da mãe Natália, mas a professora Georgina, com outros saberes e métodos, fazia de nós, os alunos, “pequenos génios”…
A sala de aulas era enorme e tinha uma arrecadação para guardar “coisas” sem uso. Um dia espreitei o interior e vi duas ou três “espingardas” de madeira.
Quando vi as "armas", possivelmente pensei;
- Devem ser brinquedos comprados na feira de Lourosa... 
Mais tarde, alguém me disse que, antigamente, os meninos da minha escola, fardados a rigor,  “marchavam” com aquelas “espingardas a fingir”! “Sonhei” com a brincadeira, bem diferente do jogo do pião, das corridas de arco com gancheta e das futeboladas durante o recreio.
Recentemente, durante  nova consulta aos documentos do espólio literário de uma personalidade que enalteceu a comunidade barrilense, António Inácio Alves Correia de Oliveira - AIACO, encontrei uma das suas crónicas que, periodicamente, publicava na “Comarca de Arganil”, que transcrevo:

O Batalhão Escolar marcou presença na época

Brinquedo semelhante às "epingardas" do Batalhão Escolar

”(,,,) Ora esta passagem fez-nos recordar a existência de um Batalhão Escolar que houve no Barril de 1913 a 1918 e que era composto de alunos daquela localidade (…). Evidentemente esta recordação serve sim - é esta a nossa intenção – para mostrar o que há mais de 50 anos se fez na nossa terra”.
“Esta notícia foi transcrita de A Comarca:
- “Mas o que se fez no Barril na altura, uma povoação da freguesia de Vila Cova, no concelho de Arganil, chegou ao conhecimento do Governo da Nação, que louvou publicamente os promotores de tão patriótica iniciativa, pelo que transcrevemos de A Comarca de 20 de março de 1913 a seguinte notícia:
PORTARIA DE LOUVOR

“ O Diário do Governo de 13 de março corrente, publicava a portaria que com o maior prazer publicamos:

“Tendo o professor da escola primária do lugar do Barril, freguesia de Vila Cova do Alva, concelho de Arganil, organizado um Batalhão Escolar composto de 50 alunos da escola da sua regência, no que foi auxiliado por diferentes indivíduos, especialmente pelo cidadão Joaquim Mendes Correia de Oliveira e por Joaquim Nunes dos Santos, já falecidos, os quais para tal fim concorreram com importantes quantias.
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Interior, que sejam publicamente louvados o professor da escola do Barril e o cidadão Joaquim Mendes Correia de Oliveira pelo ato de benemerência que praticaram e em que se manifesta o seu interesse pelo desenvolvimento da instrução e educação cívica nacional".

Paço do Governo da República, em 8 de março de 1913 – o Ministro do Interior, Rodrigo José Rodrigues”.
CR
*
- Mais pormenores sobre o Batalhão Escolar a publicar em breve…