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quinta-feira, 7 de abril de 2022

A benemerência de Joaquim Mendes Correia de Oliveira


Progresso da terra natal e o bem-estar da sua população foi o paradigma de ilustres barrilenses durante décadas de lideranças arrojadas e investimentos públicos, como fontanários, igreja e capelas, escola pública, ruas e caminhos, etc, etc.
Joaquim Mendes Correia de Oliveira, barrilense, pouco referenciado, é certo, mas pelo merecimento da sua generosidade justifica encómios e destaque de “primeira página”, como o Governo da República reconheceu em 1913 ao conceder-lhe um louvor, publicado no Diário do Governo n.º 57/1913, Série I de 1913-03-11.
A Junta de Freguesia do Barril de Alva, em 1924, também não deixou de lhe prestar justa homenagem ao atribuir seu nome a uma das primeiras ruas da aldeia…
Joaquim Mendes Correia de Oliveira emigrou para Belém do Pará, no Brasil, onde fez fortuna. De regresso a Portugal, construiu de raiz um soberbo palacete na sua terra natal, ainda de pé e habitável. O edifício é conhecido pela “prédio dos bonecos” pelo facto da decoração do beirado ostentar peças de estatuária.
A talhe de foice, refira-se o pormenor de ter sido, em 1911, local de pernoita do ministro do Fomento da República, Brito Camacho, de visita à região.
A benemerência do nosso conterrâneo estendeu-se à construção
- do esplendoroso edifício da escola primária do Barril de Alva, em parceria com José Freire de Carvalho e Albuquerque, Abílio Nunes dos Santos e Joaquim Nunes dos Santos;
- da antiga sede da Filarmónica Barrilense (agora, depois de recuperada acolhe um projeto cultural de inegável importância na comunidade: a Casa/Museu “OS BARRILENSES SÃO ASSIM”, frase emblemática dita vezes sem conta pelo seu filho A.I.A.C.O);
- da igreja matriz do Barril de Alva, que tem como orago S. Simão. 
Infelizmente, Joaquim Mendes Correia de Oliveira faleceu relativamente novo. 
A lista de pessoas de bem fazer, não sendo extensa pela leitura das marcas de avultadas obras, é, no entanto, enorme pelo espírito solidário de quem nasceu barrilense ou sente como sua esta mesma “pátria”. 












segunda-feira, 21 de março de 2022

O estandarte, a CIEBA, a Comissão pró Turismo, o carteiro, etc

- Entrevista de António Inácio Alves Correia de Oliveira (AIACO) ao jornal “A Comarca  de Arganil”, publicada no dia 29 de setembro de 1933


Primeiro (?) estandarte da Sociedade Filarmónica Barrilense,
oferecido em junho de 1913 pela colónia do Barril residente em Lisboa e Margem Sull do Tejo

AIACO:
- A Comissão de Iniciativa e Embelezamento do Barril de Alva, CIEBA, foi fundada em 25 de novembro de 1931, mas antes, em setembro, eu, de comum acordo com Abílio Custódio do Vale e António Pais de Mascarenhas, resolvemos angariar fundos para a aquisição de 12 bancos destinados ao Largo José Freire de Carvalho e Albuquerque.
Abrimos para esse efeito uma subscrição que foi coberta com o maior entusiasmo. Em poucas horas angariámos o dinheiro preciso para a compra dos bancos e ainda ficámos com um saldo de 240$00. Uma vez adquiridos os bancos e colocados nos seus lugares, o que se deu em novembro e serviu de pretexto para uma festa local, resolvemos transferir o saldo para uma Comissão de Melhoramentos. Demos os necessários passos na mencionada data com 7 sócios.
- Quem são os atuais dirigentes?
- Albano Nunes dos Santos, José Valentim dos Santos Leal, Constantino da Costa Simões, António Nunes Fernandes, José Apolinário de Brito e eu, como delegado em Lisboa. 
Tinha nascido a C.I.E.B.A.
- O que tem feito a Comissão em benefício do Barril de Alva?
- Inaugurou a 1 de fevereiro de 1932, e ainda hoje mantém, a distribuição postal ao domicílio, em julho do mesmo ano mandou construir uma escada em cantaria para o coreto que está no Largo José Freire, e ainda se procedeu à recuperação do mesmo, no que se gastou 725$00; contribuiu com 1.500$00 para a subscrição aberta para a luz elétrica, instalou na sua sede uma biblioteca com cerca de 200 volumes, etc.
(…)
- Há mais necessidades para referir?
- É necessário construir duas estradas, uma partindo do “chalet” Nunes dos Santos até ao Casal Cimeiro e outra da Estrada Nova para o Casal do Meio…” (…).
Sobre o Barril de Alva, diz AIACO:
- Barril, terra linda por seus dotes naturais, necessita alindar-se ainda mais pela mão do homem. Bem simples: caiando todas as casas, para que os visitantes tenham a melhor das impressões (…).
- Como complemento turístico, interessante seria a construção de uma estrada desde a ponte sobre o rio Alva até à nascente da fonte do Urtigal (…).
Nascia a Comissão Pró Turismo do Barril de Alva, com algum impacto na aldeia, como mais tarde se saberá.
AIACO e a Filarmónica, menina bonita dos barrilenses:
- José Monteiro de Carvalho e Albuquerque era um apaixonado por música - foi ele que fundou a Filarmónica nas instalações da sua casa em 1894, e foi ele que ensinou os primeiros executantes e dirigiu a banda durante vários anos . (…) Nos últimos anos a Filarmónica tem tido notável incremento devido ao seu devotado regente, sr. João Martins Vinagre.
- Como é encarada e apoiada pelos barrilenses a Filarmónica?
- O melhor possível, como é de inteira justiça. A colónia (dos barrilenses) de Lisboa e margem sul do Tejo também não a esquecem, e tanto assim é que em 1913 lhe ofereceram um estandarte que custou 84$300 e no ano findo (1932) outro que importou em cerca de 2.000 escudos (…)”
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É longa a entrevista que AIACO concedeu a Luís Ferreira, publicada no jornal “A Comarca de Arganil” no dia 29 de setembro de 1933.
AIACO deixou correr o pensamento e anunciou projetos associados à CIEBA: em tempo útil, todos eles viram a luz do dia “pelas mãos” da UPBA, União e Progresso do Barril de Alva, fundada em 1935.
A CIEBA foi, naturalmente, a semente da União e Progresso, instituição que, para além de a “construir, foi o lêvedo da própria construção”.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

"Os Barrilenses são assim"

António Inácio Alves Correia de Oliveira (AIACO), regionalista convicto e amante incondicional do Barril de Ava, onde nasceu, algures no tempo entendeu que a melhor forma de glorificar a sua paixão e dos seus conterrâneos, que durante décadas alimentaram e concretizaram sonhos, passava por associar ao espírito solidário e altruísta uma frase lapidar:
- “Os Barrilenses são assim”!
O lugar do Barril, desde 1527 (?), foi vencendo obstáculos até obter, por direito próprio, a sua autonomia administrativa em 25 de Julho de 1924, quando “nasceu” a freguesia do Barril de Alva...
Abril de 1974 trouxe ao País mudanças políticas, rasgou horizontes…
Graças à profícua atividade da União e Progresso do Barril de Alva, UPBA, fundada em 17 de março de 1935 – a quem se devem alguns dos melhoramentos concretizados na extinta Freguesia -, era de inteira justiça manter viva a frase criada por AIACO:
- “Os Barrilenses são assim”!
Nos tempos de agora, sopram novos ventos, mudaram-se hábitos e costumes, o Barril de Alva tem menos habitantes, à UPBA faltam cooperantes – o élan da comunidade, aos poucos, foi perdendo força…
Perante a realidade, hoje é razoável evocar as palavras de AIACO?
- Sim, quando mais não seja para “manter de pé” a memória do autor, que permanecerá eterna no frontispício da CASA / MUSEU 
-“OS BARRILENSES SÃO ASSIM”!
… E também pela “mão cheia” de orgulhosos barrilenses que continuam a recordar António Inácio Alves Correia de Oliveira como referência no amor ao seu torrão natal.