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terça-feira, 4 de julho de 2023

“O Senhor Regedor”



Alberto
Bernardo Simões

De memória recordo que a direção da Filarmónica Barrilense, em 
 8-1-1941, nomeou “(…) o sócio executante Alberto Bernardo Simões como auxiliar do regente para dar lições a aprendizes e fazer outros serviços”, cargo que acumulou com as funções de presidente do Conselho Fiscal da instituição.
- Mero apontamento de uma longa história de vida ao serviço da nossa Filarmónica, como executante, maestro e dirigente, cujos sinais, com uma certa leveza no trato, alinhavei em 198O - “meia dúzia” de palavras numa vénia ao “SENHOR REGEDOR” – e fiz registar na Sociedade Portuguesa de Autores; posteriormente, o tema foi incluído num single da cantora Alexandra, de que não guardo cópia, infelizmente…




Entretanto…
… a atual direção da Associação Filarmónica Barrilense vai apresentar nos próximos dias  do mês corrente, julho, um novo maestro, a quem se deseja vida longa ao serviço da nossa secular instituição.
Trata-se de Francisco Ferreira - é o regresso de alguém que, durante a sua anterior passagem pelo Barril de Alva, granjeou simpatias e o reconhecimento geral da sua elevada competência para o cargo.
Pela sua gentileza e fino trato, vénia ao Francisco; a esposa, Carla Moreira, é igualmente merecedora dos maiores encómios.
Em 2013, Francisco Ferreira, ao serviço da nossa Banda, homenageou Alberto Bernardo Simões (“O SENHOR REGEDOR”) - uma saudade do Barril de Alva e da Filarmónica - com uma obra da sua autoria, intitulada “MESTRE ALBERTO”.

Na altura, fiz publicar o seguinte texto:

“O instrumental dançou nas notas da partitura e foi como se um povo inteiro, a plenos pulmões, fizesse ouvir o uníssono das vozes a desenhar a frase: "Mes....tre...Alberto..." - começo de um poema a exigir mais vogais e consoantes para que exista um todo, com principio meio e fim, eis o que falta à melodia para que possa ser partilhada pelas gentes do Barril de Alva "quando a banda passar" perto das nossas emoções.
Domingo passado, no final do almoço dos 119 anos da Associação Filarmónica Barrilense, o maestro Francisco Ferreira fez da sua obra um presente à família de Alberto Bernardo Simões - alma grande da filarmónica do Barril de Alva.
A homenagem, bonita de ouvir, levou às lágrimas alguns dos presentes, como se o "Mestre Alberto" (Bernardo Simões) fizesse parte das suas vidas - e faz!
"Mes....tre...Alberto..."!

A música é o que une…
… duas personalidades de inegável talento, “pormenor” a merecer destaque. Junto uma terceira figura não menos importante num passado distante: João Martins Vinagre, “(…) a quem a instituição ficou a dever momentos de exaltação artística(…).

...E assim se escreve parte da História  do Barril de Alva. 

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Carlos Ramos

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

1941 - Notícias da Filarmónica

O 1º instrumento que serviu de base  ao ensino da (...) "música à gente do povo do Barril"

Sociedade Filarmónica Barrilense

"Regente. - A direção desta coletividade nomeou regente da “banda” o sr. Leonel Correia, digmo 2º sargento músico. (*)
Auxiliar do regente.- A direção também nomeou auxiliar do regente o sócio executante Alberto Bernardo Simões, para dar lições a aprendizes e fazer outros serviços.
Festividades abrilhantadas.- A “banda” desta coletividade abrilhantou no dia 29 de dezembro passado uma festividade no Covelo.
Festas a abrilhantar.- A “banda” está contratada para abrilhantar no dia 20 do corrente a festividade de S. Sebastião, em Folques.
Eleições.- No dia 31 de dezembro realizaram-se as eleições dos corpos gerentes desta coletividade para o ano de 1941, sendo sancionada por aclamação a seguinte lista:
Assembleia Geral - José Apolinário de Brito, presidente; José Marques vice presidente; António Simões Inácio, 1º secretário; António Pereira, 2º secretário.
Direção - António Gomes, presidente; António Silvestre de Paiva, vice presidente; José Valenim, 1º secretário; Avelino Bernardo, 2º secretário; António Nunes Fernandes, tesoureiro; António Marques Madeira e Barnabé de Jesus, vogais.
Conselho Fiscal - Alberto Bernardo Simões, Abel Bernardo Rijo e José da Costa, vogais.
Comissão auxiliar de Lisboa - União e Progresso do Barril de Alva.

Barril de Alva, 8-1-1941
A direção"
___

(*) Em novembro de 1946, a Sociedade Filarmónica Barrilense, durante o seu 52º aniversário, homenageou o  carismático maestro,  João Martins Vinagre (1930 a 1944). A nomeação do 2º sargento músico Leonel Correia, tudo leva a crer,  foi pontual.

domingo, 30 de outubro de 2022

Estandarte da Filarmónica - hora de "ver o sol"


 O primeiro estandarte da Filarmónica, oferecido em junho de 1913 pela colónia do Barril residente em Lisboa e Margem Sul do Tejo, ontem, dia 29 de outubro de 2022  foi posto a descoberto - coisa rara    em  cem anos de vida! -  depois  de colocado na sala/museu Bento Suzano, a propósito do  aniversário da Associação Filarmónica Barrilense, a comemorar nos próximo dias  5 e 6 de novembro

segunda-feira, 18 de julho de 2022

"Mestre Alberto"




O instrumental dançou nas notas da partitura e foi como se um povo inteiro, a plenos pulmões, fizesse ouvir o uníssono das vozes a desenhar a frase: "Mes....tre...Alberto..." - começo de um poema a exigir mais vogais e consoantes para que exista um todo, com principio meio e fim - eis o que falta à melodia para que possa ser partilhada pelas gentes do Barril de Alva "quando a banda passar" perto das nossas emoções.
Domingo passado, no final do almoço dos 119 anos da Associação Filarmónica Barrilense, o maestro Francisco Ferreira fez da sua obra um presente à família de Alberto Bernardo Simões - alma grande da filarmónica do Barril de Alva.
A homenagem, bonita de ouvir, levou às lágrimas alguns dos presentes, como se o "Mestre Alberto" (Bernardo Simões) fizesse parte das suas vidas - e faz!
"Mes....tre...Alberto..."! (*)
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(*) Publicado   no dia 11 de novembro de 2013


segunda-feira, 4 de julho de 2022

João Maria Tudela, autor da "Marcha do Barril de Alva"

A marcha "Saudação ao Barril", dizem os menos novos na idade, é a autêntica marcha do Barril de Alva - pelo menos a mais popular, é. No entanto, existe um outro tema, menos conhecido, intitulado "Marcha do Barril de Alva", com letra e música de   João Maria Tudela, músico e cantor,  famoso na época por ter interpretado vários êxitos, como a canção "Kanimambo" ("Obrigado"), com música do maestro Artur Fonseca e letra do poeta Reinaldo Ferreira.
Esta dupla de autores (com a colaboração de Vasco Matos Sequeira) deu "corpo e alma" a outro grande êxito da nossa música ligeira, intitulado "Uma Casa Portuguesa", que Tudela também interpretava com sucesso.
Na então capital de Moçambique, Lourenço Marques, a Cervejaria Coimbra era, talvez, o estabelecimento mais famoso da época, ponto de encontro obrigatório das gentes oriundas da região de Arganil. O seu proprietário, de nome António Silvestre, era natural do Barril de Alva.
...Imagine-se o "nosso" António Silvestre a comentar as belezas da terra natal junto dos clientes - Tudela, por certo, "foi provocado", "aceitou o desafio" e escreveu " A Marcha do Barril de Alva".



"Marcha do Barril de Alva
Esta marcha vai
Na rua a passar
No Barril de Alva
Toda a gente sai
Para a ouvir cantar
Cantai raparigas
Que as vossas cantigas
É que vão ganhar
Toda a gente canta
A todos espanta
Porque é popular

Tanto no Casal do Baixo
Como no Casal de Cima
Toda a gente se quer bem
E toda a gente se estima
Se alguém te quiser mal
Não tens nada que temer

Pois lá tens o regedor
Pois lá tens o regedor
Que te há de defender
-
(Arquivos  A.I.C.O.)

quinta-feira, 30 de junho de 2022

"Saudação ao Barril"


 A marcha  com que  a nossa  Filarmónica   honra a terra onde nasceu, foi criada pelo  mestre  João Martins Vinagre  e intitula-se  "Saudação ao Barril". O documento  em anexo é original  e faz parte do espólio de um  antigo músico da nossa Banda.

terça-feira, 7 de junho de 2022

Primeira visita da Filarmónica a Lisboa


“Salve 21 de março de 1965"
"Aos barrilenses oferece JOÃO CARLOS P. SIMÕES
a foto da 1ª ida a Lisboa da sua briosa FILARMÓNICA à saída da Igreja da Encarnação, onde assistiram à missa pela alma dos barrilenses falecidos e dos seus benfeitores, e pela passagem do 30º aniversário da consagrada U.P.B.A., sendo celebrante o estimado Padre Januário”
Foto de Nery Simões


sexta-feira, 3 de junho de 2022

Filarmónica Barrilense - os primeiros executantes sob a batuta de António Augusto



Existe o conhecimento da fundação da S.F.B., do seu mentor, José Monteiro de Carvalho e Albuquerque, amante da arte musical e primeiro instrutor/professor do Grupo Musical a que deu "corpo e alma", mas havia silêncio sobre os passos que se seguiram; na verdade, os silêncios eram infundados - basta subir ao primeiro andar da sede da Associação Filarmónica Barrilense e conhecer, pela leitura, como (quase) tudo aconteceu: a reportagem do jornal "A Comarca de Arganil", quando a instituição completou cinquenta anos de vida, relata factos, cita nomes e dá uma "ajuda" sobre o "desconhecido" António Augusto, mestre da Banda:
- “Sob a regência de António Augusto, compôs-se o primeiro agrupamento musical (da Quinta de Santo António), que mais tarde seria a Sociedade Filarmónica Barrilense. Faziam parte desse grupo: José Maria de Paiva, José Candosa, José Luiz Quaresma, Francisco Simões, José Correia, António de Brito Simões, António Rijo (…), Francisco Rijo, António Joaquim, Albano de Brito Simões e Joaquim do Vale.
A sua estreia, fora da terra, para abrilhantar uma festividade, foi a de Santo Cristo, de Pinheiro (...)”.
       José Valentim
Justa referência são as palavras dirigidas a José Valentim dos Santos Leal - comerciante e correspondente de Imprensa no Barril de Alva- “… nome que está ligado à Sociedade Filarmónica Barrilense há muitos anos, foi o seu “cérebro” durante vinte anos; homem preponderante, de um valor inexcedível adentro dos organismos barrilenses…”.
(Luiz Ferreira, reportagem do jornal "A Comarca de Arganil" pela passagem do cinquentenário da S.F.B.)
A.F. Cruz
-





Da minha lavra, dou à estampa a figura e o nome de A.F. Cruz, que (também) foi maestro da S.F.B., pelo menos no ano de 1927.
…O leitor, “por obra do acaso”, conhece o Museu da Associação Filarmónica Barrilense?
CR  





quarta-feira, 4 de maio de 2022

A "casa da música" no tempo do mestre Vinagre


Possivelmente a primeira  fotografia oficial
da S.F.B. regida  pelo mestre Vinagre,
na anterior sede

Ontem resumi um texto do “historiador” AIACO, publicado na “Comarca de Arganil” em tempos idos, onde se recorda a casa que José Monteiro de Carvalho e Albuquerque mandou construir no Barril de Alva.
“As conversas são como as cerejas”, por isso não é de admirar que, esta manhã, um “rapaz” com memória fresca, o Vitor, durante uma pausa na minha caminhada (com o “Bello”, o cão…), abordasse o assunto. Disse o Vitor:
- “O caseiro, “ti” Zé Pereira, contava que o salão do rés-do-chão era a casa de ensaio da Filarmónica, isso no tempo do mestre Vinagre…”.
O “ti” Zé Pereira era carpinteiro, como o irmão, António Pereira, meu avô - os dois eram mestres na montagem das rodas de alcatruzes no rio Alva; o meu avô tinha a particularidade de ser músico da Filarmónica, tocava requinta e/ou clarinete e, ao que sei, “dava um jeito” na guitarra portuguesa durante os “bailes mandados”…
…Faz todo o sentido que a Banda tivesse como “sede” a futura habitação (que nunca usou…) do fundador da Filarmónica Barrilense - José Monteiro de Carvalho e Albuquerque.
-
Em 1911, a Sociedade Filarmónica Barrilense, graças à benemerência de Joaquim Mendes Correia de Oliveira, mudou-se “com armas e bagagens” para a sua nova residência artística – não tarda, será esta casa/museu o local próprio para “viajar no tempo”, que bem poderia chamar-se “Museu do Bairrismo Barrilense”, como era desejo de AIACO, mas a frase por si imortalizada “Os Barrilenses são assim”, "diz muito"  deste território e é digna de ser associada, com a devida vénia, às palavras de Miguel Torga sobre a construção do Teatro Aves Coelho, em Arganil:
-“Erguido por teimosos e cabeçudos Beirões, da mesma maneira que antigamente se construíam as Catedrais, trazendo cada um a sua pedra”.
Os Beirões “eram mesmo assim”!
CR


À janela, AIACO atento 
- nos clarinetes, a Lena, o "ti" António Pereira e o "ti" Virgílio 
esmeram-se  no toque durante o ensaio na primeira  residência artística da S.F.B.


Temporariamente, foi a "casa da música",  mandada  construir por 
José Monteiro de Carvalho e Albuquerque 

terça-feira, 3 de maio de 2022

José Monteiro - a casa que nunca habitou




José Monteiro de Carvalho e Albuquerque fundou a Sociedade Filarmónica Barrilense em 5 de novembro 1894, como é do domínio público.
José Monteiro era um homem culto e estudioso, músico erudito, embora amador. Ensinou os primeiros músicos da Banda, que regeu com sabedoria durante largo tempo; escreveu várias peças para a “sua” Filarmónica, e para outro tipo de instrumentos, como piano e flauta.
Após o falecimento de seu pai, o fidalgo José Freire, houve partilhas entre ele e o irmão, António Freire. Nessas partilhas, pouco coube, no Barril, a José Monteiro - a Quinta de Santo António e a quase totalidade dos seus domínios ficaram para o seu irmão. No entanto, dado o seu amor pelo Barril, numa outra propriedade com que ficou, junto à estrada que vai do entroncamento (Largo do Chiado) para a ponte, mandou construir  um bonito e airoso edifício para nele habitar– infelizmente tal nunca aconteceu…
José Monteiro foi residir para Oliveira do Conde e o Barril perdeu a sua presença permanente…
Escreveu vários artigos históricos, que publicou na “Comarca de Arganil” em 1928, a que deu o título de “Antiquarias”.
-
Saber mais:
https://barrilenses.blogspot.com/2021/07/1894-jose-monteiro-de-carvalho-e.html


quinta-feira, 3 de março de 2022

Março de 1979 - Inauguração da sede da Filarmónica Barrilense

  “…que os acordes metálicos não feneçam com os maus ventos”

O jornal “ A Comarca de Figueiró”, de Figueiró dos Vinhos, publicou no dia 10 de abril de 1979 uma excelente reportagem sobre a inauguração do edifício sede da então Sociedade Filarmónica Barrilense, que decorreu no dia 18 de março  daquele ano

O trabalho jornalístico, extenso e pormenorizado, pode ser visto como um justo louvor ao Barril de Alva e às suas gentes daqueles tempos, pois “é preciso, efetivamente, possuir uma têmpera muito, muito especial, ter um campo de manobra muito prestigiado, guardar muitas amizades vincadas e sobretudo ter muita confiança no inegável bairrismo dos seus conterrâneos, para se terem cometido a tão ingente tarefa” – acentua o autor da reportagem, que assina, simplesmente, Marçal.

Da grande festa do sarau inaugural, na noite do dia 17 do mesmo mês, recordo a presença do “(…) excelente conjunto Esquema 6, de Lisboa (que tinha como líder o barrilense Armando Bernardo), a consagrada Cândida Branca Flor, Jorge Quaresma, Sissi e Zé Portugal (…).

Marçal tinha razão: só foi possível a vinda deste punhado de artistas, sem custos, quando se tem “(…) um campo de manobra muito prestigiado, guardar muitas amizades vincadas (…).
Não tarda, passa mais um aniversário sobre a data da inauguração do emblemático e grandioso edifício.
C.R.


Respigos do texto
- Lembrando o comendador Luís Bento Suzano

“ (…) Alvoreceu o domingo, dia 18 de março de 1979, com a Filarmónica Barrilense percorrendo as ruas (do Barril de Alva) e cerca das 10 horas chegou a Filarmónica Figueiroense, gentilmente convidada, numa confirmação das excelentes relações que identificam as duas Filarmónicas (…)”.

“ (…) a povoação vestiu as melhores galas para a inauguração da nova sede da Filarmónica Barrilense, reafirmando o acrisolado bairrismo e o sentimento das suas gentes, espírito que escorreu em caudal e inundou a alma e o coração desse maravilhoso casal de beneméritos constituído pelo comendador Luís Bento Suzano e sua extremosa esposa D. Maria Josefa Suzano, porquanto, ao bondoso casal se ficou devendo a motivação que alvoroçou e aqueceu os sentimentos dos barrilenses (…)”.

“ (…) Foi então que uma sensacional revelação chega ao conhecimento de todos: (António Inácio Alves) Correia de Oliveira aproxima-se do microfone e anuncia que o comendador Luís Bento Suzano oferecia 100 contos à Sociedade Filarmónica Barrilense (…)”!

Barrilense por herança, a palavra de Adalberto Gens da Costa Simões:
Quem dera que os saudosos fundadores da Sociedade Filarmónica Barrilense (…) pudessem ver das alturas este autêntico “milagre”, força monetária de dois entes diletos, acolitados pelo querer e hercúlea vontade de um bom punhado de bons amigos e quase todos barrildalvenses, entre os quais a dinâmica Comissão de Almada (União e Progresso do Barril de Alva, na altura com um ano de existência), que em peditórios, leilões, piqueniques e “a tostão a tostão” ergueram um edifício impar no concelho de Arganil em glória da sua “menina bonita” para que os seus acordes metálicos não feneçam com os maus ventos e ecoem por esses montes além”.

(António Inácio Alves) Correia de Oliveira falou seguidamente da obra inaugurada, dos sacrifícios exigidos a todos os barrilenses, (…) e com o entusiasmo galvanizante que o carateriza, Correia de Oliveira concluiu:
- As nossas gratidões mantêm-se sempre vivas porque OS BARRILENSES SÃO ASSIM”!
-

sábado, 3 de julho de 2021

1894 -José Monteiro de Carvalho e Albuquerque

= SOCIEDADE FILARMÓNICA BRRILENSE =

Tenho na memória de menino o som estridente de um pequeno instrumento de sopro, capaz de sobressair acima de todos os outros a um sinal do maestro. Era a “Requinta” do meu avô António Pereira. músico da Filarmónica Barrilense.
O avô Pereira, anos depois,  contava estórias da “Banda do seu tempo”, do seu fundador e “senhor da Casa do Barril” (Quinta de Santo António), José Monteiro, e de um familiar com quem viria a conviver mais tarde em Lourenço Marques, Moçambique: António Freire, o último “senhor” da “Casa do Barril”, onde o “Grupo Musical da Quinta de Santo António” deu os primeiros passos, alterando depois a designação para Sociedade Filarmónica Barrilense.
O registo de “nascimento” da instituição remonta ao dia 5 de novembro de 1894.
Décadas depois do tempo das memórias do som estridente da “Requinta”, tive a honra de presidir aos destinos da Filarmónica da terra onde nascemos, eu e o avô Pereira…

A partitura
Certo dia, quando catalogava partituras antigas, deparei-me com o subtítulo de uma ”Partitura para piano”, da autoria de José Monteiro de Carvalho e Albuquerque - o fundador da Filarmónica. Num dos cantos do documento estava escrita uma dedicatória “…para a Rainha D. Amélia”.
Nessa altura, um dos executante dos mais antigos da Filarmónica, Abílio Ribeiro, reforçou as referências do meu avô sobre a personalidade humana de José Monteiro, “…que tinha aprendido música com grandes mestres” e tinha “… um grande coração para os mais pobres…”.
Num dos textos de António Inácio Alves Correia de Oliveira, A.I.A.C.O., sobre o falecimento de José Monteiro de Carvalho e Albuquerque, publicado no dia 18 de outubro de 1929 no jornal “A Comarca de Arganil”, é referido que “… com  a sua morte, a freguesia (do Barril de Alva) e a região perderam uma das figuras de maior relevo e prestígio…”.

Nasceu no lugar do Barril
José Monteiro de Carvalho e Albuquerque nasceu no Barril em 1886 e faleceu na Quinta do Boiço, Oliveira do Conde, no dia 1 de outubro de 1929. Era filho de José Freire de Carvalho e Albuquerque e Maria Emília Freire de Amorim, da casa do Sarzedo e irmão de António Freire de Carvalho e Albuquerque. 
José Monteiro de Carvalho e Albuquerque, era pessoa de bem, culto e dedicado “…à arte musical”, talento sobejamente conhecido dos seus pares e do povo do Barril, pois “… desceu ao convívio da gente humilde pra colaborar no seu desenvolvimento cultural”- AIACO.
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C.R.
         
                    Primeiro instrumento da Filarmónica                          Primeira sede da Filarmónica