SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DO BARRIL DE ALVA - FONTES: ”AIACO” - A COMARCA DE ARGANIL- GENI.COM - CLARINDA GOUVEIA - P. ANTÓNIO DINIS - “ECOS DO ALVA” – U.P.B.A.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

"Quinta do Urtigal" de outros tempos

 


A Casa do Barril, ou Quinta de Santo António, surge referida pela primeira vez — tanto quanto se sabe — num pequeno texto datado de cerca de 1720, onde se afirma que “os seus proprietários eram donos de terras até ao rio”, incluindo a Quinta do Urtigal, então integrada na “freguesia de Vila Cova de Sub-Avô”. A menção encontra-se no volume XI de Portugal Antigo e Moderno, publicado em 1886.

Importa sublinhar a referência à Quinta do Urtigal. A.I.A.C.O., nas suas deambulações históricas, admite a possibilidade de esta Quinta ser anterior ao povoamento do lugar do Barril.

Hoje, retomar o tema da Quinta do Urtigal sem o ilustrar parece-me pouco sensato. A única imagem que chegou às minhas mãos esclarece muito pouco sobre o espaço habitacional e os terrenos contíguos, embora destaque os moinhos de água. Contudo, com a ajuda da IA, confirmam‑se os relatos dos antigos residentes da extinta freguesia do Barril de Alva.

Permanece a dúvida essencial: quem nasceu primeiro? O lugar do Barril, já presente no cadastro populacional de 1527 com cerca de uma dezena de habitantes, ou a Quinta do Urtigal, cuja existência documentada — e possivelmente anterior — continua envolta em silêncio histórico?

CR

sábado, 5 de setembro de 2026

Igraja de S.Simão "oferecida à sua terra"

 Para que haja memória na família barrilense, nos últimos tempos têm sido publicados alguns respigos da história do Barril de Alva. Desta vez faz-se luz sobre uma das placas de granito que encimam a porta principal da Igreja Matriz.

De forma clara, pela leitura, ficamos a saber que a capela em honra de S. Simão foi construído em 1819 e reconstruida em 1911. No entanto, segundo o padre Luís Cardoso, de Vila Cova de sub-Avô (?), "no ano de 1727 o lugar do Barril tinha “… vinte e nove vizinhos“ e as ermidas de S. Simão, S. Aleixo e Santa Maria Madalena, cada uma no seu casal".

Sem outras pesquisas, por desnecessárias para “deslindar” o significado das iniciais gravadas numa das pedras da fachada, importa descodificá-las:
 

À.S.T.O.
“À SUA TERRA OFERECE” 

J. M. C. O. 

“Joaquim Mendes Correia de Oliveira”


Tudo leva a crer que em 1819 a “ermida” em honra de S. Simão foi sujeita (?) a profundas alterações na volumetria e considerada como um novo edifício...
Depois do lugar do Barril obter a sua independência administrativa em 25 de Julho de 1924, o processo para designar a capela como igreja matriz demorou algum tempo.
A partir de então o sacerdote passou a celebrar a missa principal dominical na nova igreja, entretanto redecorada.
Na génese do enriquecimento patrimonial do lugar, a par de outros, sobressai o nome do benemérito barrilense Joaquim Mendes Correia de Oliveira, pai de outra destacada figura no desenvolvimento do Barril de Alva: António Inácio Alves Correia de Oliveira – AIACO.
Voltaremos ao assunto. 
 

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Barril de Alva – Confirmação do Enigma: O "Benfica Local" e a Herança Gráfica do Chiado

 


Há segredos que o tempo guarda com um zelo quase poético, esperando pelo momento em que os fragmentos da história finalmente se alinham. 

Nas margens do rio que nos dá nome, a nossa querida aldeia de Barril de Alva caba de ver desvendado um enigma heráldico e associativo fascinante. Trata-se da ligação profunda, artística e filantrópica entre uma das mais ilustres famílias da nossa terra — os irmãos Nunes dos Santos, fundadores dos emblemáticos Grandes Armazéns do Chiado — e a planeada fundação ou reformulação do Grupo Desportivo do Barril de Alva (G.D.B.A.).

Para compreendermos a magnitude desta descoberta, precisamos de recuar ao início do século XX. Cruzando a viragem de centenas, a capital assistia à ascensão de grandes industriais e comerciantes que, apesar do estrondoso sucesso financeiro em Lisboa, mantinham um cordão umbilical inquebrável com as suas origens. Abílio Nunes dos Santos, o carismático patriarca e fundador do império do Chiado, era natural de Barril de Alva. Imbuído do espírito de benemerência e filantropia típico da época, o financiamento de bandas de música, escolas, igrejas e infraestruturas locais constituía um ato natural de gratidão e prestígio. Faltava, contudo, o grande palco do associativismo moderno: o futebol.

O Sport Lisboa e Benfica, fundado em 1904, tornou-se rapidamente num fenómeno de massas sem paralelo no país. Sendo os Nunes dos Santos benfiquistas assumidos e fervorosos, a transposição deste modelo de sucesso para a Beira Serra seria apenas uma questão de tempo. Era uma prática comum na época que os beneméritos locais, ao apoiarem o desporto nas suas terras natais, utilizassem o prestígio e a "matriz gráfica" do clube encarnado como inspiração, adaptando-a à realidade local.

 A Descodificação da Heráldica: O Traço Genial do Chiado

A confirmação deste "Benfica Local" surge através de um desenho técnico de alta precisão recentemente analisado. Longe de ser um esboço amador, estamos perante um estudo heráldico rigoroso, caracterizado por linhas de chamada meticulosas, uma geometria circular perfeita e um traço limpo que denuncia, de imediato, a autoria de um profissional de design ou artes gráficas das primeiras décadas de novecentos. É extremamente provável que Abílio Nunes dos Santos, ou o seu filho Abílio Nunes dos Santos Júnior, tenha encomendado este trabalho a um dos reputados artistas gráficos que colaboravam com os Grandes Armazéns do Chiado.

O que torna este emblema uma obra de arte absoluta é a forma inteligente e bem-humorada como o criador adaptou a matriz gráfica do Sport Lisboa e Benfica à identidade e à paisagem de Barril de Alva. O documento revela trocadilhos visuais brilhantes:

O "Cuco" em vez da Águia: Onde o Benfica exibe a imponência da sua águia de asas abertas, o emblema do G.D.B.A. coloca, na mesma pose majestosa sobre a roda ciclista/desportiva, um cuco. Um toque de humor refinado e de orgulho bairrista.

 

A Divisa  "In Hoc Signo Vinces"

O clássico lema unificador encarnado, "E Pluribus Unum", foi substituído pela solene expressão latina que significa "Sob este signo vencerás". Historicamente ligada ao imperador Constantino e a ordens militares, confere ao clube de Barril de Alva um tom de profunda nobreza e vocação vitoriosa.

A Ponte sobre o Rio Alva: Na metade inferior do escudo, onde tradicionalmente figurariam as listas do clube ou a icónica bola de futebol de couro, o desenhador imortalizou uma ponte estilizada com arcos sobre o rio. Uma homenagem direta e comovente à topografia e à alma da terra natal dos Nunes dos Santos.

 Uma Relíquia do Associativismo Beirão

A análise heráldica deixa poucas margens para dúvidas: o Grupo Desportivo do Barril de Alva foi pensado, desenhado e patrocinado pela elite comercial de Lisboa com o coração firmemente ancorado na Beira Serra. Os homens do Chiado quiseram dar à sua aldeia um clube à imagem e semelhança da sua paixão desportiva, mas costurado com os retalhos da identidade local — o rio, a ponte, a fauna e o espírito resiliente arganilense.

Temos em mãos muito mais do que um simples papel antigo; estamos perante uma autêntica relíquia da história do associativismo regional português. Um achado que enobrece as páginas deste blogue e que devolve a Barril de Alva o orgulho de ver o seu nome ligado à era dourada do mecenato e do design nacional. O enigma está desfeito: o "Benfica do Alva" existiu na mente e no traço dos nossos maiores beneméritos.

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*Texto produzido pela IA Gemini a partir de um apurado trabalho de pesquisa na “Comarca de Arganil” e na IA contemporânea – Carlos Ramos