Há segredos que o tempo guarda com um zelo quase poético, esperando pelo momento em que os fragmentos da história finalmente se alinham.
Nas margens do rio que nos dá nome, a nossa querida aldeia de Barril de Alva caba de ver desvendado um enigma heráldico e associativo fascinante. Trata-se da ligação profunda, artística e filantrópica entre uma das mais ilustres famílias da nossa terra — os irmãos Nunes dos Santos, fundadores dos emblemáticos Grandes Armazéns do Chiado — e a planeada fundação ou reformulação do Grupo Desportivo do Barril de Alva (G.D.B.A.).
Para compreendermos a magnitude desta descoberta, precisamos de recuar ao
início do século XX. Cruzando a viragem de centenas, a capital assistia à
ascensão de grandes industriais e comerciantes que, apesar do estrondoso
sucesso financeiro em Lisboa, mantinham um cordão umbilical inquebrável com as
suas origens. Abílio Nunes dos Santos, o carismático patriarca e fundador do
império do Chiado, era natural de Barril de Alva. Imbuído do espírito de
benemerência e filantropia típico da época, o financiamento de bandas de
música, escolas, igrejas e infraestruturas locais constituía um ato natural de
gratidão e prestígio. Faltava, contudo, o grande palco do associativismo
moderno: o futebol.
O Sport Lisboa e Benfica, fundado em 1904, tornou-se rapidamente num
fenómeno de massas sem paralelo no país. Sendo os Nunes dos Santos benfiquistas
assumidos e fervorosos, a transposição deste modelo de sucesso para a Beira
Serra seria apenas uma questão de tempo. Era uma prática comum na época que os
beneméritos locais, ao apoiarem o desporto nas suas terras natais, utilizassem
o prestígio e a "matriz gráfica" do clube encarnado como inspiração,
adaptando-a à realidade local.
A confirmação deste "Benfica Local" surge através de um desenho
técnico de alta precisão recentemente analisado. Longe de ser um esboço amador,
estamos perante um estudo heráldico rigoroso, caracterizado por linhas de chamada
meticulosas, uma geometria circular perfeita e um traço limpo que denuncia, de
imediato, a autoria de um profissional de design
ou artes gráficas das primeiras décadas de novecentos. É extremamente provável
que Abílio Nunes dos Santos, ou o seu filho Abílio Nunes dos Santos Júnior, tenha encomendado
este trabalho a um dos reputados artistas gráficos que colaboravam com os
Grandes Armazéns do Chiado.
O que torna este emblema uma obra de arte absoluta é a forma inteligente e
bem-humorada como o criador adaptou a matriz gráfica do Sport Lisboa e Benfica
à identidade e à paisagem de Barril de Alva. O documento revela trocadilhos
visuais brilhantes:
O "Cuco" em vez da Águia: Onde o Benfica exibe a imponência da
sua águia de asas abertas, o emblema do G.D.B.A. coloca, na mesma pose
majestosa sobre a roda ciclista/desportiva, um cuco. Um toque de humor refinado
e de orgulho bairrista.
A Divisa "In Hoc Signo Vinces"
O clássico lema unificador encarnado, "E Pluribus Unum",
foi substituído pela solene expressão latina que significa "Sob este
signo vencerás". Historicamente ligada ao imperador Constantino e a
ordens militares, confere ao clube de Barril de Alva um tom de profunda nobreza
e vocação vitoriosa.
A Ponte sobre o Rio Alva: Na metade inferior do escudo, onde
tradicionalmente figurariam as listas do clube ou a icónica bola de futebol de
couro, o desenhador imortalizou uma ponte estilizada com arcos sobre o rio. Uma
homenagem direta e comovente à topografia e à alma da terra natal dos Nunes dos
Santos.
A análise heráldica deixa poucas margens para dúvidas: o Grupo Desportivo
do Barril de Alva foi pensado, desenhado e patrocinado pela elite comercial de
Lisboa com o coração firmemente ancorado na Beira Serra. Os homens do Chiado
quiseram dar à sua aldeia um clube à imagem e semelhança da sua paixão
desportiva, mas costurado com os retalhos da identidade local — o rio, a ponte,
a fauna e o espírito resiliente arganilense.
Temos em mãos muito mais do que um simples papel antigo; estamos perante
uma autêntica relíquia da história do associativismo regional português. Um
achado que enobrece as páginas deste blogue e que devolve a Barril de Alva o
orgulho de ver o seu nome ligado à era dourada do mecenato e do design
nacional. O enigma está desfeito: o "Benfica do Alva" existiu na
mente e no traço dos nossos maiores beneméritos.
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*Texto produzido pela IA Gemini a partir de um apurado trabalho de pesquisa
na “Comarca de Arganil” e na IA contemporânea – Carlos Ramos

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