sexta-feira, 3 de junho de 2022

Filarmónica Barrilense - os primeiros executantes sob a batuta de António Augusto



Existe o conhecimento da fundação da S.F.B., do seu mentor, José Monteiro de Carvalho e Albuquerque, amante da arte musical e primeiro instrutor/professor do Grupo Musical a que deu "corpo e alma", mas havia silêncio sobre os passos que se seguiram; na verdade, os silêncios eram infundados - basta subir ao primeiro andar da sede da Associação Filarmónica Barrilense e conhecer, pela leitura, como (quase) tudo aconteceu: a reportagem do jornal "A Comarca de Arganil", quando a instituição completou cinquenta anos de vida, relata factos, cita nomes e dá uma "ajuda" sobre o "desconhecido" António Augusto, mestre da Banda:
- “Sob a regência de António Augusto, compôs-se o primeiro agrupamento musical (da Quinta de Santo António), que mais tarde seria a Sociedade Filarmónica Barrilense. Faziam parte desse grupo: José Maria de Paiva, José Candosa, José Luiz Quaresma, Francisco Simões, José Correia, António de Brito Simões, António Rijo (…), Francisco Rijo, António Joaquim, Albano de Brito Simões e Joaquim do Vale.
A sua estreia, fora da terra, para abrilhantar uma festividade, foi a de Santo Cristo, de Pinheiro (...)”.
       José Valentim
Justa referência são as palavras dirigidas a José Valentim dos Santos Leal - comerciante e correspondente de Imprensa no Barril de Alva- “… nome que está ligado à Sociedade Filarmónica Barrilense há muitos anos, foi o seu “cérebro” durante vinte anos; homem preponderante, de um valor inexcedível adentro dos organismos barrilenses…”.
(Luiz Ferreira, reportagem do jornal "A Comarca de Arganil" pela passagem do cinquentenário da S.F.B.)
A.F. Cruz
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Da minha lavra, dou à estampa a figura e o nome de A.F. Cruz, que (também) foi maestro da S.F.B., pelo menos no ano de 1927.
…O leitor, “por obra do acaso”, conhece o Museu da Associação Filarmónica Barrilense?
CR  





quarta-feira, 25 de maio de 2022

Abertura do Centro Comercial do Barril

 Edição da "Comarca de Arganil" de 9 de novembro de 1922:

"No próximo  dia 19 do corrente, os nossos ilustres  conterrâneos srs Nunes dos Santos & Cª, proprietários dos Grandes Armazéns  do Chiado,  vão inaugurar uma nova  filial da sua importantíssima casa na próspera e linda povoação que é o Barril, sua terra natal".







Na imaginação do artista,  seria assim  a filial dos Grandes Armazéns do Chiado quando o Barril de Alva fosse terra de muita  gente, cosmopolita – do tamanho dos sonhos  dos irmãos Nunes dos Santos, fundadores  do seu  “império”, com sede em Lisboa,  principais obreiros de muitas das grandes obras concretizadas na aldeia onde nasceram.  Gratidão maior pelos sonhos que sonharam…


Alberto Martins de Carvalho - o "Mestre"...


Era  menino quando ingressei no Liceu D. João III, em Coimbra.
Certo dia, durante uma aula, entrou na sala o Dr Alberto Martins de Carvalho - cumprimentou o seu colega professor e "...todos os meninos"; de seguida quis saber quem era o Carlos Ramos: levantei a mão e estiquei o dedo!...
Publicamente, com gentileza, deixou-me recados - se dele tivesse alguma precisão, que o procurasse na sala "x"...
O torrão natal de ambos é o Barril de Alva. A escola primária onde aprendemos as  "primeiras letras" foi a mesma. 
As nossas famílias eram afetivamente próximas. Lembro a mãe Natália dizer que, em Coimbra, ia ter a ajuda do "... senhor doutor Martins de Carvalho, com quem já tinha falado... ".
C.R.
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Alberto Martins de Carvalho -  o "Mestre"
... é natural do Barril de Alva, onde nasceu a 30 de Dezembro de 1901.
Casou com Judite Sinde, de Coja, e licenciou-se simultaneamente em Direito e Ciências Histórico-Filosóficas, na Universidade de Coimbra.
Fez a sua instrução Primária no Barril de Alva, prosseguindo estudos liceais em Coimbra, no Liceu Dr. Júlio Henriques.
Foi professor metodólogo na atual Escola Secundária José Falcão (Coimbra) e exerceu, igualmente, funções docentes em Aveiro.
Alberto Martins de Carvalho foi autor de inúmeros artigos em dicionários, guias, livros e revistas, prefaciando, traduzindo e anotando outras obras. O seu nome também se liga à autoria de livros de temáticas variadas.
Articulista nas revistas Presença e Palestra, pertenceu à direção da revista Bysancio e também colaborou com a revista Manifesto e o jornal Humanidade. Usou, em várias ocasiões, o pseudónimo de Carlos Sinde.
Nas décadas de 20 e 30 do século passado, foi um dos grandes vultos intelectuais de Coimbra, privando com nomes como Miguel Torga (a quem apresentou Fernando Valle), Paulo Quintela, Vitorino Nemésio, José Régio e outros, não obstante o seu carácter reservado e discreto.
Esteve na origem da criação das Universidades Populares, na I República.
Foi Diretor do Centro de Estudos Pedagógicos do Instituto Gulbenkian de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian, entre 1975 e 1993.
Também por sua iniciativa, foi constituída a Biblioteca Fixa nº 95 da Gulbenkian, em Coja, em 1965, sob a égide dos Bombeiros Voluntários locais. Em 8 de Setembro de 2001, por proposta de Mário Valle, a Câmara Municipal de Arganil atribui-lhe o nome da Biblioteca cojense, sendo também patrono da Biblioteca da Escola Secundária José Falcão.
Faleceu na Figueira da Foz, a 26 de Março de 1993, cidade onde se encontra sepultado.


terça-feira, 24 de maio de 2022

Pelos Caminhos de Torga

 A razão de Miguel Torga merecer realce na toponímia do Barril de Alva







Dez da manhã do dia 23 de Maio de 2015, no Barril de Alva, junto à ponte, local onde Miguel Torga, em  Setembro de 1942, se debruçou sobre o "beirão" rio Alva. Talvez no mesmo local onde escreveu...


SAUDAÇÃO
Não sei se comes peixes, ou não comes,
Irmão poeta Guarda-Rios:
Sei que tens o céu nas asas e consomes
A força delas a guardar rios.
É que os rios são água em mocidade
Que quer correr o mundo e conhecer;
E é preciso guardar-lhe a tenra idade,
Que a não venham beber ...
Ave com penas de quem guarda um sonho
Líquido, fresco, doce:
No meu livro te ponho,
E eu no teu rio fosse
-
Miguel Torga, in Diário II, Barril de Alva, 28 de Setembro de 1942

domingo, 22 de maio de 2022

Placa toponímica


Sensivelmente a meio da Rua Cidade de Almada, no muro da antiga residência de António Inácio Alves Correia de Oliveira, AIACO, existe uma placa toponímica, possivelmente colocada antes de 1924, ano da independência do lugar do Barril.
Nos apontamentos históricos de AIACO nada consta sobre o assunto, mas é de crer que se trata do “anúncio” do começo da povoação…
…Por decifrar, as letras “ACP” poderão ser uma referência ao Automóvel Clube de Portugal, fundado em maio de 1903. A ser verdade,  alguma lógica terá a placa que identifica o "lugar do  Barril"... antes de   ser freguesia.

sexta-feira, 20 de maio de 2022

Quinta do Urtigal


A primeira referência escrita conhecida sobre a “QUINTA DO ORTIGAL” surge no volume XI da obra “Portugal Antigo e Moderno”, editado em 1886: "...o lugar do BARRIL e a QUINTA DO URTIGAL fazem parte da freguesia de Vila Cova de Sub-Avô".
Nesse ano de 1886 começou a ser construída a ponte sobre o rio Alva, inaugurada dois anos depois. A população do BARRIL, com a nova ponte, aumentou e progrediu, como demonstram os censos: no ano de 1900 tinha 500 habitantes, e em 1910, 520.
António Inácio Alves Correia de Oliveira (AIACO), conhecedor profundo da História do BARRIL DE ALVA, dizia que os fundadores dos Grandes Armazéns do Chiado, naturais do BARRIL, afiançavam que a QUINTA DO URTIGAL já existia em 1727. Segundo o padre Luís Cardoso, o BARRIL, nesse ano, tinha “… vinte e nove vizinhos“.
Sobre o topónimo BARRIL, escreveu AIACO (…): também medieval, derivado de barro e, portanto, de sentido geológico (…). Temos que admitir, também, que o povoamento do Barril de Alva é anterior ao século XII”.