SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DO BARRIL DE ALVA - FONTES: ”AIACO” - A COMARCA DE ARGANIL- GENI.COM - CLARINDA GOUVEIA - P. ANTÓNIO DINIS - “ECOS DO ALVA” – U.P.B.A.

terça-feira, 17 de maio de 2022

Barril de Alva: “Primeiro estranha-se. Depois entranha-se” – F. Pessoa


Dir-me-ão que é exagerado comparar uma frase do grande Fernando Pessoa a um texto “ditado pelo coração” de alguém que tinha em mente, apenas e só, divulgar a sua terra natal.
Pela leitura do panfleto vamos encontrar, no meu entender, o encanto da intenção da prosa quando associa a mãe Natureza ao Barril de Alva pelo facto do “divino” ter bafejado determinado território com uma bifurcação de estradas!
O meu conterrâneo foi bem claro (e autêntico!) com as palavras: “a aldeia está bem servida de acessos, e ainda oferece o usufruto da luz elétrica, estação postal, cabine telefónica, de um CINE TEATRO, concertos da Filarmónica”,  etc…
Sendo o texto um panfleto publicitário de 1938, o autor por certo “conhecia” Fernando Pessoa, autor da famosa frase sobre a Coca Cola: “ Primeiro estranha-se. Depois entranha-se”!
Esta “associação de ideias” na promoção da terra onde nasci continua a ter vida própria:
- quem desconhece os encantos da aldeia do Barril de Alva, “arejada” pela mão do Homem e o conforto das “vistas largas”, favores da mãe Natureza, ao chegar, primeiro “estranham”, depois apaixonam-se por ela…
CR

terça-feira, 10 de maio de 2022

O "nosso" jardim...

Em tempos idos, os concursos patrocinados pela Upba Upba (União e Progresso do Barril de Alva)  agilizavam o pensamento dos jovens estudantes da escola do Barril de Alva, como é o caso desta quadra, da autoria do Avelino Bernardo , vencedora de um primeiro prémio. Mal sabia o júri que este menino, homem feito, iria concretizar o seu "sonho", "fazendo desta terra um jardim / para que todos saibam / que os barrilenses são assim". 
Sempre disponível para a comunidade, o Avelino é herdeiro da "arte de bem fazer", na perspetiva de AIACO (e da minha...) quando entendeu "... que a melhor forma de glorificar a sua paixão e dos seus conterrâneos, que durante décadas alimentaram e concretizaram sonhos, passava por associar ao espírito solidário e altruísta uma frase lapidar":
- “Os Barrilenses são assim”! 
CR

segunda-feira, 9 de maio de 2022

Futebol: a União (e Progresso) empatou com os Onze Unidos

 Junho de 1939 - notícia de jornal: "O empate 1-1 não traduziu o domínio intenso que a União  exerceu durante os noventa minutos de jogo"







quinta-feira, 5 de maio de 2022

Distribuição do correio ao domicilio

A corneta  com que o
carteiro
se fazia anunciar


No dia 1 fevereiro 1932 foi inaugurado no Barril de Alva o serviço de distribuição da correspondência ao domicílio, a cargo do  

António Maria Gouveia.

As despesas com a entrega da correspondência ficaram a cargo da 
Comissão de Iniciativa e Embelezamento do Barril de Alva, CIEBA, fundada em 25/11/1931.
Posteriormente, no dia 17 de Março de 1935, foi criada a UPBA - União e Progresso do Barril de Alva, passando a novel instituição a assumir os custos da distribuição  do correio no Barril de Alva até o processo transitar para os  CTT.



quarta-feira, 4 de maio de 2022

A "casa da música" no tempo do mestre Vinagre


Possivelmente a primeira  fotografia oficial
da S.F.B. regida  pelo mestre Vinagre,
na anterior sede

Ontem resumi um texto do “historiador” AIACO, publicado na “Comarca de Arganil” em tempos idos, onde se recorda a casa que José Monteiro de Carvalho e Albuquerque mandou construir no Barril de Alva.
“As conversas são como as cerejas”, por isso não é de admirar que, esta manhã, um “rapaz” com memória fresca, o Vitor, durante uma pausa na minha caminhada (com o “Bello”, o cão…), abordasse o assunto. Disse o Vitor:
- “O caseiro, “ti” Zé Pereira, contava que o salão do rés-do-chão era a casa de ensaio da Filarmónica, isso no tempo do mestre Vinagre…”.
O “ti” Zé Pereira era carpinteiro, como o irmão, António Pereira, meu avô - os dois eram mestres na montagem das rodas de alcatruzes no rio Alva; o meu avô tinha a particularidade de ser músico da Filarmónica, tocava requinta e/ou clarinete e, ao que sei, “dava um jeito” na guitarra portuguesa durante os “bailes mandados”…
…Faz todo o sentido que a Banda tivesse como “sede” a futura habitação (que nunca usou…) do fundador da Filarmónica Barrilense - José Monteiro de Carvalho e Albuquerque.
-
Em 1911, a Sociedade Filarmónica Barrilense, graças à benemerência de Joaquim Mendes Correia de Oliveira, mudou-se “com armas e bagagens” para a sua nova residência artística – não tarda, será esta casa/museu o local próprio para “viajar no tempo”, que bem poderia chamar-se “Museu do Bairrismo Barrilense”, como era desejo de AIACO, mas a frase por si imortalizada “Os Barrilenses são assim”, "diz muito"  deste território e é digna de ser associada, com a devida vénia, às palavras de Miguel Torga sobre a construção do Teatro Aves Coelho, em Arganil:
-“Erguido por teimosos e cabeçudos Beirões, da mesma maneira que antigamente se construíam as Catedrais, trazendo cada um a sua pedra”.
Os Beirões “eram mesmo assim”!
CR


À janela, AIACO atento 
- nos clarinetes, a Lena, o "ti" António Pereira e o "ti" Virgílio 
esmeram-se  no toque durante o ensaio na primeira  residência artística da S.F.B.


Temporariamente, foi a "casa da música",  mandada  construir por 
José Monteiro de Carvalho e Albuquerque 

terça-feira, 3 de maio de 2022

José Monteiro - a casa que nunca habitou




José Monteiro de Carvalho e Albuquerque fundou a Sociedade Filarmónica Barrilense em 5 de novembro 1894, como é do domínio público.
José Monteiro era um homem culto e estudioso, músico erudito, embora amador. Ensinou os primeiros músicos da Banda, que regeu com sabedoria durante largo tempo; escreveu várias peças para a “sua” Filarmónica, e para outro tipo de instrumentos, como piano e flauta.
Após o falecimento de seu pai, o fidalgo José Freire, houve partilhas entre ele e o irmão, António Freire. Nessas partilhas, pouco coube, no Barril, a José Monteiro - a Quinta de Santo António e a quase totalidade dos seus domínios ficaram para o seu irmão. No entanto, dado o seu amor pelo Barril, numa outra propriedade com que ficou, junto à estrada que vai do entroncamento (Largo do Chiado) para a ponte, mandou construir  um bonito e airoso edifício para nele habitar– infelizmente tal nunca aconteceu…
José Monteiro foi residir para Oliveira do Conde e o Barril perdeu a sua presença permanente…
Escreveu vários artigos históricos, que publicou na “Comarca de Arganil” em 1928, a que deu o título de “Antiquarias”.
-
Saber mais:
https://barrilenses.blogspot.com/2021/07/1894-jose-monteiro-de-carvalho-e.html


Senhoras na liderança da Comissão para os Melhoramentos e Beneficência do Barril de Alva


No dia 9 de abril 1925 foi criada a “Comissão para os Melhoramentos e Beneficência do Barril de Alva”, com sede em Lisboa, e era composta apenas por senhoras.

Entre outras personalidades barrilenses da época, faziam parte dos corpos sociais, Maria Bugarim, Berta dos Santos Garção e Dalila de Vasconcelos Nunes dos Santos.
AIACO fez publicar na “Comarca de Arganil” uma notícia onde refere a lista de apoio (?) da “Comissão para os Melhoramentos e Beneficência do Barril de Alva” às festas de S. João desse ano:
Leopoldina Abreu Magalhães Freire, presidente, Maria da Ressurreição Quaresma nos Santos, tesoureira, Maria Celeste Nunes dos Santos, primeira secretária, Isabel Martins de Carvalho, segunda secretária, Maria dos Prazeres Vaz Jorge, e Isaura da Conceição Coelho Nobre, vogais.

segunda-feira, 25 de abril de 2022

"A povoação do Barril vai possuir uma escola modelar"

 “A Comarca de Arganil”- 7 de março de 1912



"Os srs. Joaquim Nunes dos Santos, Abílio Nunes dos Santos e Joaquim Mendes Correia de Oliveira, vão mandar edificar uma escola primária na povoação do Barril, cuja escola ficará  sendo não só a melhor do concelho, como a primeira do distrito de Coimbra.
Esta escola é destinada aos dois sexos, com habitação independente para quatro professores e com aulas separadas para 100 alunos cada.
O custo da edificação e respetivo mobiliário está orçado em 9 contos de reis, cuja importância é abonada por aqueles beneméritos cavalheiros.
O terreno em que é edificada e que mede cerca de quatro mil metros quadrados, foi também generosamente oferecido pelo sr. José Freire de Carvalho e Albuquerque.
Esta escola modelar deve estar pronta em fins de outubro, época em que os srs. Nunes dos Santos e Correia de Oliveira farão entrega dela ao Governo da República.
Ações destas registam-se. Quem assim se interessa pelo bem comum, é digno de toda a estima e merece os maiores elogios.
Conhecíamos já as nobres qualidades dos cavalheiros que acabam de dar um tão eloquente exemplo de altruísmo, mas nem por isso deixamos de nos confessar admirados de tão longe levarem o seu amor à causa sagrada da instrução. Bem hajam".
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Nota: o edifício foi inaugurado  mo dia 8 de junho de 1913

sábado, 23 de abril de 2022

“AO BAIRRISMO E À BENEMERÊNCIA DOS BARRILENSES”

 


Em julho de 2020, com a pompa da circunstância, depois de recuperado o primeiro edifício sede da Filarmónica Barrilense, foi inaugurada no Barril de Alva a Casa/ Museu, denominada “Os Barrilenses são assim”.

Em julho de 2022 está prevista a abertura deste espaço que reúne vestígios da história documentada, proporcionando aos visitantes uma “visita guiada” a tempos de outrora através de textos e imagens, além da contemplação de peças decorativas de valor estimativo cedidas pelas instituições patrocinadoras deste projeto cultural de inegável importância para a comunidade: União e Progresso do Barril de Alva e Associação Filarmónica Barrilense.

“Os Barrilenses são assim”

Esta “…aldeia ignorada, já entrava no cadastro da população de 1527 com a sua dezena de habitantes, que viveram e sofreram nos tempos de Vasco da Gama e de (Afonso de) Albuquerque…” (Dr. Alberto Martins de Carvalho), cresceu pelo empenho de bem fazer da família barrilense, com realce para uma “mão cheia” de concidadãos com disponibilidade económica acima da média - a sua benemerência, eternamente reconhecida, permitiu dotar o Barril de Alva com obras de utilidade pública que perduram no tempo…

A Casa/Museu, enquanto espaço cultural, de forma modesta e singela, pretende homenagear TODOS os barrilenses, de acordo com as suas competências e qualidades, artífices do airoso e prazenteiro território, berço de muitos de nós e enlevo de quem nele reside, ou não!

A imagem literária que melhor se adapta ao memorial da Casa/Museu, com a possibilidade de itinerância, está gravada no obelisco erguido na praça Alberto Martins de Carvalho, no Barril de Alva, pela U.P.B.A. em 25 de junho de 1965:

“AO BAIRRISMO E À BENEMERÊNCIA DOS BARRILENSES”

- Na verdade, “… a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer...” (Alberto Caeiro)!

quinta-feira, 7 de abril de 2022

Abílio Nunes dos Santos subsidiou a construção do cemitério do Barril de Alva

Abílio Nunes dos Santos, um dos proeminentes filhos do Barril de Alva, contruiu  o cemitério em terreno oferecido por António Freire de Carvalho e Albuquerque, "senhor da Casa do Barril"



Cópia de parte da ata da sessão da Comissão Executiva da Câmara Municipal de Arganil, de 11 de março de 1920.
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DELIBERAÇÕES: “Tendo-se apresentado nesta sessão o cidadão Albano Nunes dos Santos, do Barril, declarou que fazia entrega à Câmara dum cemitério construído naquele povo por seu irmão Abílio Nunes dos Santos, em terreno de António Freire de Carvalho e Albuquerque, com a condição de que o espaço de terreno designado na planta que aqui fica arquivada, sob os números 3, 4 e 5 se considera  pertença da família Nunes dos Santos, e o designado sob os números 6 e 7 da família  Freire de Carvalho,  e ainda também  com a condição de que, se no referido povo do Barril se constituir algum dia uma freguesia, para a Junta respetiva se transfira a administração e a propriedade do mesmo cemitério.-Considerando que o estabelecimento de cemitérios é atribuição da Câmara, como se vê no número 25 do artigo 94 da Lei de 7 de agosto de 1913, mas considerando, por outro lado, que aqui se trata de cemitério já construído, sem qualquer dispêndio da mesma Câmara e que ele é necessário; considerando ainda que a aceitação do mesmo cemitério não resulta encargo, visto que as despesas de conservação ficam  bem garantidas pelas vendas das sepulturas, delibera esta Comissão:-----------------
1.º Louvar o cidadão Abílio Nunes dos Santos pelo melhoramento que dotou a sua terra natal, o qual é e continuação de outros mais,  que lhe dá direito  à gratidão do povo;--------
2.º Aceitar a doação nos termos em que foi feita salvos outros direitos de preferência , caso a Câmara na próxima sessão plenária o entenda por bem;------------
3.º Louvar o cidadão António Freire pela cedência gratuita do terreno do dito cemitério".---
*
Está conforme
Arganil, secretaria da Câmara Municipal, 15 de março de 1955
O Chefe da Secretaria
(ilegível)-
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Fonte: Câmara Municipal de Arganil

A benemerência de Joaquim Mendes Correia de Oliveira


Progresso da terra natal e o bem-estar da sua população foi o paradigma de ilustres barrilenses durante décadas de lideranças arrojadas e investimentos públicos, como fontanários, igreja e capelas, escola pública, ruas e caminhos, etc, etc.
Joaquim Mendes Correia de Oliveira, barrilense, pouco referenciado, é certo, mas pelo merecimento da sua generosidade justifica encómios e destaque de “primeira página”, como o Governo da República reconheceu em 1913 ao conceder-lhe um louvor, publicado no Diário do Governo n.º 57/1913, Série I de 1913-03-11.
A Junta de Freguesia do Barril de Alva, em 1924, também não deixou de lhe prestar justa homenagem ao atribuir seu nome a uma das primeiras ruas da aldeia…
Joaquim Mendes Correia de Oliveira emigrou para Belém do Pará, no Brasil, onde fez fortuna. De regresso a Portugal, construiu de raiz um soberbo palacete na sua terra natal, ainda de pé e habitável. O edifício é conhecido pela “prédio dos bonecos” pelo facto da decoração do beirado ostentar peças de estatuária.
A talhe de foice, refira-se o pormenor de ter sido, em 1911, local de pernoita do ministro do Fomento da República, Brito Camacho, de visita à região.
A benemerência do nosso conterrâneo estendeu-se à construção
- do esplendoroso edifício da escola primária do Barril de Alva, em parceria com José Freire de Carvalho e Albuquerque, Abílio Nunes dos Santos e Joaquim Nunes dos Santos;
- da antiga sede da Filarmónica Barrilense (agora, depois de recuperada acolhe um projeto cultural de inegável importância na comunidade: a Casa/Museu “OS BARRILENSES SÃO ASSIM”, frase emblemática dita vezes sem conta pelo seu filho A.I.A.C.O);
- da igreja matriz do Barril de Alva, que tem como orago S. Simão. 
Infelizmente, Joaquim Mendes Correia de Oliveira faleceu relativamente novo. 
A lista de pessoas de bem fazer, não sendo extensa pela leitura das marcas de avultadas obras, é, no entanto, enorme pelo espírito solidário de quem nasceu barrilense ou sente como sua esta mesma “pátria”. 












Honra ao mérito: a escola do Barril

(…) são altamente louváveis todos os esforços que se empreguem para derramar a luz nas trevas  da ignorância, para levar  aos pequenos cérebros o brilho cintilante da instrução, fazendo mais tarde dessas crianças  cidadãos úteis   aos seus semelhantes e aptos para honrarem a terra que os viu nascer”.