SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DO BARRIL DE ALVA - FONTES: ”AIACO” - A COMARCA DE ARGANIL- GENI.COM - CLARINDA GOUVEIA - P. ANTÓNIO DINIS - “ECOS DO ALVA” – U.P.B.A.

sábado, 18 de junho de 2022

O palacete dos "bonecos"

Diário do Governo n.º 57/1913, Série I de 1913-03-11 - Ministério do Interior - Direção Geral da Instrução Primária.
Portaria de 8 de Março,“(…) louvando o professor da escola do lugar do Barril e o cidadão
Joaquim Mendes Correia de Oliveira
por serviços relevantes prestados à instrução e educação cívica nacionais”

Conhecido como "prédio dos bonecos", o palacete foi construído pelo barrilense Joaquim Mendes Correia de Oliveira.  
O merecimento da sua generosidade no então denominado lugar do Barril, justifica encómios e destaque de “primeira página”, como o Governo da República reconheceu em 1913.
A Junta de Freguesia do Barril de Alva, em 1924, não deixou de lhe prestar justa homenagem ao atribuir o seu nome a uma das primeiras ruas da aldeia.
Joaquim Mendes Correia de Oliveira emigrou para Belém do Pará, no Brasil, onde fez fortuna. De regresso a Portugal, construiu de raiz um soberbo palacete na sua terra natal, ainda de pé e habitável. O edifício é conhecido como  “prédio dos bonecos” pelo facto da decoração do beirado ostentar peças de estatuária.
A talhe de foice, refira-se o pormenor de ter sido em 1911 residência temporária do ministro do Fomento da República, Brito Camacho, durante uma visita à região de Arganil.
A benemerência do nosso conterrâneo estendeu-se à construção
- do esplendoroso edifício da escola primária do Barril de Alva, em parceria com José Freire de Carvalho e Albuquerque, Abílio Nunes dos Santos e Joaquim Nunes dos Santos;
- da antiga sede da Filarmónica Barrilense (agora, depois de recuperada, acolhe um projeto cultural de inegável importância na comunidade: a Casa/Museu “OS BARRILENSES SÃO ASSIM”, frase emblemática dita vezes sem conta pelo seu filho A.I.A.C.O);
- da igreja matriz do Barril de Alva, que tem como orago S. Simão.
Infelizmente, Joaquim Mendes Correia de Oliveira faleceu relativamente novo.

O pequeno António Inácio Alves Correia de Oliveira  junto dos progenitores

Barrilense ilustre - José Quaresma Nunes dos Santos

José Quaresma Nunes dos Santos nasceu a 29 de Novembro de 1923 na aldeia de Barril de Alva. Depois de acabar a escola primária nesta localidade, com nove anos ingressa no Liceu José Falcão, em Coimbra.

Em 30 de Novembro de 1946 termina o curso de Matemáticas Puras, recusando o convite para se tornar assistente na mesma universidade; pede equivalências do seu primeiro curso e, no ano seguinte, completa Engenharia Geográfica. Começa a trabalhar para o IGC (Instituto de Geografia Cadastral) no Departamento de Geodesia, fazendo trabalhos de Triangulação, Nivelamento de Alta Precisão, efetuando várias viagens em trabalho por todo Portugal. Casa-se a 17 de Julho de 1948 com Maria Teresa das Neves de Jesus Santos Nunes dos Santos.
Sai do IGC para se juntar ao IITC (Instituto de Investigação Científica e Tropical), nomeadamente à MGM (Missão Geográfica de Moçambique) em 1953, fazendo viagens de seis em seis meses para Moçambique até 1964. Em 1964, com a saída de um Decreto-Lei acerca da permanência de alguns engenheiros (chamados residentes) nas províncias portuguesas, muda-se com a família (Mulher e filhos) para Lourenço Marques, onde permanece residente até 1974, realizando os trabalhos que já exercia no IGC, tal como Medições de Base, Gravimetria e Astronomia, agora para a MGM.
Após o regresso para Portugal mantém o seu cargo na Repartição da MGM na Praça João do Rio n.º 2, em Lisboa, sendo esporadicamente convidado para fazer trabalhos técnicos para o LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil), como por exemplo a manutenção de barragens, em particular a manutenção da barragem da Agueira, onde efetuava observações, até à sua morte no dia 24 de Abril de 1983.
(Recolhido por Carla Ramos, natural de Moçambique - arquiteta paisagista).
. Foto cedida gentilmente pela família Nunes dos Santos - texto de Tiago Hirth 

terça-feira, 14 de junho de 2022

"A bem da nossa terra"...

Para que conste ...

"A bem da nossa terra - pela direção da União e Progresso do Barril de Alva, o presidente,"

Adalberto Gens da Costa Simões





sexta-feira, 10 de junho de 2022

Memorial - Praça Barril de Alva


A decisão da Câmara Municipal de Almada, então presidida por Maria Emília de Sousa, conceder a honra ao Barril de Alva de fazer parte da toponímia de uma das suas freguesias, é o reconhecimento da importância da comunidade barrilense no concelho, a vários níveis, como é sublinhado durante intervenções públicas de caráter social, onde o nome da União e Progresso do Barril de Alva surge como “parceiro” de relevo nas diferentes áreas em que manifesta a sua presença ativa.
- "Quantas freguesias do país se podem orgulhar de memorial semelhante? (…) *
A extinta Junta de Freguesia do Barril de Alva, no tempo certo, por seu turno, passou a reconhecer uma das suas principais artérias como Rua Cidade de Almada.
Esta troca de gentilezas entre responsáveis autárquicos, na verdade, é muito mais do que “meras gentilezas”: irmanam as pessoas!
“(…) não há área de Almada onde não haja gente de Arganil - uma presença significativa organizada que ali mantém a ligação das suas raízes”. “Almada tem recebido gente de todo o lado, mas os de Arganil souberam granjear o nosso respeito com trabalho” - palavras de Joaquim Judas, presidente da Câmara Municipal de Almada, durante o almoço convívio no Barril de Alva em maio de 2017
-
* Excerto da intervenção do último presidente da Junta de Freguesia do Barril de Alva na Assembleia Municipal de Arganil, realizada no dia 29 de setembro de 2012, a propósito da manutenção da independência administrativa desta freguesia:
“(…) Por fim, não podia deixar de enaltecer a existência, desde 1935, da União e Progresso do Barril de Alva - instituição pioneira do regionalismo arganilense e que, para além de todas as benfeitorias sociais e económicas com que dotou o Barril de Alva, continua a apoiar a Filarmónica e a juventude da freguesia, mantém a sua sede social em permanente atividade na região de Almada, cujo Município fez erguer na freguesia do Laranjeiro uma praça a que deu o nome do Barril de Alva em homenagem às centenas de barrilenses que ajudaram a construir o concelho. Quantas freguesias do país se podem orgulhar de memorial semelhante? (…)


quarta-feira, 8 de junho de 2022

Os romanos andaram por aqui...

 Sabe-se que os povos antigos, designadamente os Romanos, exploraram o ouro no leito e nas margens do Rio Alva.


No Barril de Alva, na margem direita do rio, na Área de Serviço e Pernoita para Autocaravanas, ainda existem milhares de pedras redondas (calhaus) que formam uma CONHEIRA - (…) local onde foram amontoados seixos rolados resultantes do trabalho de exploração mineira do ouro pelos Romanos(…) - “e que muito úteis foram na construção da estrada do Barril para Coja “(António Inácio Alves Correia de Oliveira (AIACO) - “ A Comarca de Arganil”
Pela leitura de inúmeros estudos é possível localizar zonas onde surgem (…) testemunhos das lavarias de ouro em que as terras eram lavadas e as pedras redondas (calhaus) arrumados como escombros (…). 
O semanário “Campeão das Províncias”, na edição do dia 26 Agosto de 2016, com o título “Ouro - Maior área mineira de ouro do Portugal romano encontra-se ao longo do Rio Alva, no concelho de Arganil", divulgou (…) a investigação sobre mineração antiga, efetuada por investigadores do CEAACP da Universidade de Coimbra e do Consejo Superior de Investigaciones Cientificas – Madrid (…), e salientou: "(…) Os restos que revelam os trabalhos mineiros de época romana concentram-se no concelho de Arganil, ao longo do Alva, sendo esta área mineira particularmente extensa junto a Coja. Entre os vestígios arqueológicos descobertos também se encontram os de um possível acampamento militar romano" (Lomba do Canho).
Jorge de Alarcão refere a exploração mineira do Alva, colocando algumas questões relativamente à época da sua exploração, “Nas margens do rio Alva, entre Vila Cova e a confluência do Alva e do Mondego (…)" – Direção Geral do Património Cultural.
Trabalho de excelência foi elaborado pela doutora Carla Maria Braz Martins, da Universidade do Minho, Braga, em 2008, sobre A EXPLORAÇÃO MINEIRA ROMANA E A METALURGIA DO OURO EM PORTUGAL, "(…) principalmente nas margens do rio Alva (vale de Arganil)" - página 45.
-
*Texto  publicado no blog "Terras do Alva" em julho de 2017

U.P.B.A. - recuperar património

Bem andou o presidente da União e Progresso do Barril de Alva, António Silvestre (ou simplesmente, para os barrilenses, Tonecas) pela decisão de alindar a fachada do prédio contiguo à Casa/Museu, depois de ouvido o proprietário.
O Largo José Freire de Carvalho e Albuquerque, enriquecido com o secular coreto, (ex) Igreja Matriz, primeira sede da Filarmónica (agora espaço museológico, a inaugurar em breve), com mais este "pequeno" toque estético, sempre mereceu as graças da U.P.B.A., desde a sua fundação (e antes dela, a C.I.E.B.A. Comissão de Iniciativa e Embelezamento do Barril de Alva)…

terça-feira, 7 de junho de 2022

Primeira visita da Filarmónica a Lisboa


“Salve 21 de março de 1965"
"Aos barrilenses oferece JOÃO CARLOS P. SIMÕES
a foto da 1ª ida a Lisboa da sua briosa FILARMÓNICA à saída da Igreja da Encarnação, onde assistiram à missa pela alma dos barrilenses falecidos e dos seus benfeitores, e pela passagem do 30º aniversário da consagrada U.P.B.A., sendo celebrante o estimado Padre Januário”
”Foto de Nery Simões”


sábado, 4 de junho de 2022

Meninas ao bufete


Havia o “mandador” e o tocador de guitarra.
Os homens pagavam a entrada para o baile, as senhoras, não, quando acompanhadas – é o que as pessoas daquele tempo, de boa memória, recordam.
A mãe Natália pedia ao Américo “cigarrada”, nosso vizinho, para “…levar o miúdo”, caso fosse ao bailarico. O miúdo, é bom de ver, era eu, com falta de jeito para a arte da dança, ao contrário da Tété, menina da minha idade (oito, nove anos?).
Às vezes, a Tété, danada para a brincadeira, puxava-me o braço…
- Anda, vamos dançar – e “rebocava-me” para ao meio da sala…
Apertos e “pés trocados” durante algum tempo era o bastante para voltar ao lugar de onde apreciava o gingar dos pares…
Sem talento para acertar o passo, “aquele baile” não era do meu agrado, confesso…
O “meu baile” preferido tinha música ao vivo e a voz do “mandador”, que “dava ordens” aos dançarinos: “vira para a esquerda, vira para a direita… voltinha atrás de voltinha…”- toda a gente cumpria as regras do “baile mandado” com sorrisos e, acredito, felizes pela festa.
… O melhor de tudo era quando o “mandador/mandava” as…meninas ao bufete!
Era o momento dos bolinhos secos e molhar a garganta, dançarinos e público em geral, eu incluído.
- Ó Américo, olha-me pelo miúdo, compra-lhe um bolo, depois eu dou-te o dinheiro - era a mãe Natália nos seus cuidados…
-
A guitarra do “baile mandado” daquele tempo, durante largas décadas, esteve na posse dos “Bernardos”- agora repousa em cima da minha mesa, à espera de outro Bernardo - o Avelino -, que lhe vai “puxar o lustro”.
… Depois irá ocupar um dos lugares de honra da “Casa/Museu”.
Gratidão ao Armando Bernardo pela gentileza do gesto…
CR

sexta-feira, 3 de junho de 2022

Filarmónica Barrilense - os primeiros executantes sob a batuta de António Augusto



Existe o conhecimento da fundação da S.F.B., do seu mentor, José Monteiro de Carvalho e Albuquerque, amante da arte musical e primeiro instrutor/professor do Grupo Musical a que deu "corpo e alma", mas havia silêncio sobre os passos que se seguiram; na verdade, os silêncios eram infundados - basta subir ao primeiro andar da sede da Associação Filarmónica Barrilense e conhecer, pela leitura, como (quase) tudo aconteceu: a reportagem do jornal "A Comarca de Arganil", quando a instituição completou cinquenta anos de vida, relata factos, cita nomes e dá uma "ajuda" sobre o "desconhecido" António Augusto, mestre da Banda:
- “Sob a regência de António Augusto, compôs-se o primeiro agrupamento musical (da Quinta de Santo António), que mais tarde seria a Sociedade Filarmónica Barrilense. Faziam parte desse grupo: José Maria de Paiva, José Candosa, José Luiz Quaresma, Francisco Simões, José Correia, António de Brito Simões, António Rijo (…), Francisco Rijo, António Joaquim, Albano de Brito Simões e Joaquim do Vale.
A sua estreia, fora da terra, para abrilhantar uma festividade, foi a de Santo Cristo, de Pinheiro (...)”.
       José Valentim
Justa referência são as palavras dirigidas a José Valentim dos Santos Leal - comerciante e correspondente de Imprensa no Barril de Alva- “… nome que está ligado à Sociedade Filarmónica Barrilense há muitos anos, foi o seu “cérebro” durante vinte anos; homem preponderante, de um valor inexcedível adentro dos organismos barrilenses…”.
(Luiz Ferreira, reportagem do jornal "A Comarca de Arganil" pela passagem do cinquentenário da S.F.B.)
A.F. Cruz
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Da minha lavra, dou à estampa a figura e o nome de A.F. Cruz, que (também) foi maestro da S.F.B., pelo menos no ano de 1927.
…O leitor, “por obra do acaso”, conhece o Museu da Associação Filarmónica Barrilense?
CR  





quarta-feira, 25 de maio de 2022

Abertura do Centro Comercial do Barril

 Edição da "Comarca de Arganil" de 9 de novembro de 1922:

"No próximo  dia 19 do corrente, os nossos ilustres  conterrâneos srs Nunes dos Santos & Cª, proprietários dos Grandes Armazéns  do Chiado,  vão inaugurar uma nova  filial da sua importantíssima casa na próspera e linda povoação que é o Barril, sua terra natal".







Na imaginação do artista,  seria assim  a filial dos Grandes Armazéns do Chiado quando o Barril de Alva fosse terra de muita  gente, cosmopolita – do tamanho dos sonhos  dos irmãos Nunes dos Santos, fundadores  do seu  “império”, com sede em Lisboa,  principais obreiros de muitas das grandes obras concretizadas na aldeia onde nasceram.  Gratidão maior pelos sonhos que sonharam…


Alberto Martins de Carvalho - o "Mestre"...


Era  menino quando ingressei no Liceu D. João III, em Coimbra.
Certo dia, durante uma aula, entrou na sala o Dr Alberto Martins de Carvalho - cumprimentou o seu colega professor e "...todos os meninos"; de seguida quis saber quem era o Carlos Ramos: levantei a mão e estiquei o dedo!...
Publicamente, com gentileza, deixou-me recados - se dele tivesse alguma precisão, que o procurasse na sala "x"...
O torrão natal de ambos é o Barril de Alva. A escola primária onde aprendemos as  "primeiras letras" foi a mesma. 
As nossas famílias eram afetivamente próximas. Lembro a mãe Natália dizer que, em Coimbra, ia ter a ajuda do "... senhor doutor Martins de Carvalho, com quem já tinha falado... ".
C.R.
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Alberto Martins de Carvalho -  o "Mestre"∴
... é natural do Barril de Alva, onde nasceu a 30 de Dezembro de 1901.
Casou com Judite Sinde, de Coja, e licenciou-se simultaneamente em Direito e Ciências Histórico-Filosóficas, na Universidade de Coimbra.
Fez a sua instrução Primária no Barril de Alva, prosseguindo estudos liceais em Coimbra, no Liceu Dr. Júlio Henriques.
Foi professor metodólogo na atual Escola Secundária José Falcão (Coimbra) e exerceu, igualmente, funções docentes em Aveiro.
Alberto Martins de Carvalho foi autor de inúmeros artigos em dicionários, guias, livros e revistas, prefaciando, traduzindo e anotando outras obras. O seu nome também se liga à autoria de livros de temáticas variadas.
Articulista nas revistas Presença e Palestra, pertenceu à direção da revista Bysancio e também colaborou com a revista Manifesto e o jornal Humanidade. Usou, em várias ocasiões, o pseudónimo de Carlos Sinde.
Nas décadas de 20 e 30 do século passado, foi um dos grandes vultos intelectuais de Coimbra, privando com nomes como Miguel Torga (a quem apresentou Fernando Valle), Paulo Quintela, Vitorino Nemésio, José Régio e outros, não obstante o seu carácter reservado e discreto.
Esteve na origem da criação das Universidades Populares, na I República.
Foi Diretor do Centro de Estudos Pedagógicos do Instituto Gulbenkian de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian, entre 1975 e 1993.
Também por sua iniciativa, foi constituída a Biblioteca Fixa nº 95 da Gulbenkian, em Coja, em 1965, sob a égide dos Bombeiros Voluntários locais. Em 8 de Setembro de 2001, por proposta de Mário Valle, a Câmara Municipal de Arganil atribui-lhe o nome da Biblioteca cojense, sendo também patrono da Biblioteca da Escola Secundária José Falcão.
Faleceu na Figueira da Foz, a 26 de Março de 1993, cidade onde se encontra sepultado.