sábado, 6 de agosto de 2022

O casamento


A imagem, além de deteriorada, não tem anotada qualquer referência que permita a sua identificação. Sabe-se que retrata um casamento no Barril de Alva, mas como os noivos estão "meio sumidos", não será por aí que os vamos “descobrir”– talvez algum dos participantes possa ser lembrado pela nossa querida conterrânea Clarinda Gouveia, mulher de muito saber no que a à comunidade barrilense diz respeito.
Esperamos que este “subsídio para a História do Barril de Alva” possa ter lugar na Casa/Museu, que se pretende dinâmico, de acordo com as suas caraterísticas…
De notar, no retrato, a presença de um tocador de concertina, sinal de festa rija!

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Casa/Museu do aconchego de memórias

Breves notas

A União e Progresso do Barril de Alva e a Sociedade Filarmónica Barrilense, em sintonia com os sentimentos de quem entende que o arquivo documental de António Inácio Alves Correia de Oliveira, AIACO, e o resultado de pesquisas posteriores sobre o passado do Barril de Alva, devem ser preservados e tornados públicos, decidiram restaurar a antiga “Casa do Ensaio” da Filarmónica e transformar o espaço num local esteticamente agradável à vista, onde o aconchego das memórias é a base da decoração.
- Visitantes sem raízes no lugar, vão conhecer “o milagre” das grandes obras realizadas no Barril de Alva num curto espaço de vinte anos…
- Os “filhos da terra” e quem, pela força do amor e paixão, se considera membro desta enorme e honrada família barrilense, irão encontrar apontamentos pouco conhecidos, mas  relevantes no progresso deste lugar, plantado na margem direita do rio Alva.

- Como escreveu em 1934 Alberto Martins de Carvalho, barrilense ilustre, que privou de perto com figuras como Miguel Torga (a quem apresentou Fernando Vale), Paulo Quintela, Vitorino Nemésio, José Régio e outros:
-“O mundo não tinha que achar mal que eu mostrasse como esta aldeia ignorada já entrava no cadastro da população de 1527 com a sua dezena de habitantes…
*
O acervo da Casa/MuseuOS BARRILENSES SÃO ASSIM” permite "viajar" ao tempo de ilustres e solidárias personalidades com “vistas largas” sobre esta “pitoresca aldeia dos arredores de Coimbra”, “…uma terra que Deus ajardinou para estância de repouso (revista “Lusitânia”, Brasil, 1930 e 1931).
O pretexto para visitar esta Casa/Museu pode estar diluído entre a curiosidade e a satisfação de conhecer “os passos” de ilustres antepassados, pelas suas qualidades e competências – talvez um familiar que integrou o primeiro grupo de filarmónicos, em 1894, um tocador de guitarra, em data anterior, alguém com ideias revolucionárias no “tempo dos Reis”; talvez um companheiro de João Brandão, um capataz da Quinta de Santo António, um tetravô moleiro no rio Alva, um ator /atriz do Grupo Cénico (no tempo do maestro João Vinagre), ou do Grupo de Teatro do Barril de Alva (no tempo do mestre Vidal), depois da revolução de Abril…

Talvez não saiba que…
- em 1721 o Barril tinha três ermidas
- em 1922 foi inaugurado o “Centro Comercial do Barril”
- em 1931 foi inaugurado o “Cine Teatro Barril de Alva”
- em 1938 a publicidade sobre o Barril de Alva, divulgada em Lisboa, referia:

VISITEM O BARRIL DE ALVA
ONDE NÃO FALTA

LUZ ELÉTRICA.
ESTAÇÃO POSTAL
CABINE TELEFÓNICA
CINE TEATRO
RECINTOS APRAZIVEIS E PITORESCOS
CONCERTOS PELA FILARMÓNICA BARRILENSE
CASA DO POVO COM ENTRTENIMENTOS
BIFURCAÇÃO DE ESTRADAS
ESPLÊNDIDOS MEIOS DE TRANSPORTE
E AS AFAMADAS ÁGUAS DO URTIGAL

quinta-feira, 21 de julho de 2022

Urtigal à imagem da minha infância


O meu sítio, Barril de Alva, tem recantos que, fosse eu poeta, havia de imortalizar em palavras nunca somadas em verso, com ou sem rima - bastaria que, em mim, houvesse engenho e arte para transformar o belo do pensamento, impossível de publicar...
O Urtigal exerce tal fascínio que me transporta nos silêncios de quando me sinto solitário, voluntariamente abandonado
Aqui, no Urtigal, nem solidão, nem abandono - basta o rio que me remete para curtas memórias de infância.
- O rio, o "meu rio", sempre de barriga cheia nesse tempo, tinha barulhos inexplicáveis. É por isso que "pinto o caneiro" em tons  escuros. 
Possivelmente contínuo criança...
CR
*
-"terras do Alva", 18 de julho de 2012

segunda-feira, 18 de julho de 2022

"Mestre Alberto"




O instrumental dançou nas notas da partitura e foi como se um povo inteiro, a plenos pulmões, fizesse ouvir o uníssono das vozes a desenhar a frase: "Mes....tre...Alberto..." - começo de um poema a exigir mais vogais e consoantes para que exista um todo, com principio meio e fim - eis o que falta à melodia para que possa ser partilhada pelas gentes do Barril de Alva "quando a banda passar" perto das nossas emoções.
Domingo passado, no final do almoço dos 119 anos da Associação Filarmónica Barrilense, o maestro Francisco Ferreira fez da sua obra um presente à família de Alberto Bernardo Simões - alma grande da filarmónica do Barril de Alva.
A homenagem, bonita de ouvir, levou às lágrimas alguns dos presentes, como se o "Mestre Alberto" (Bernardo Simões) fizesse parte das suas vidas - e faz!
"Mes....tre...Alberto..."! (*)
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(*) Publicado   no dia 11 de novembro de 2013


quarta-feira, 13 de julho de 2022

A "Opereta" do maestro João Vinagre

Maestro João Vinagre, elementos do Grupo Cénico e filarmónicos

Em novembro de 1946, a Sociedade Filarmónica Barrilense, durante o seu 52º aniversário, homenageou o seu carismático maestro, entre 1930 a 1944, João Martins Vinagre, a quem a instituição ficou a dever momentos de exaltação artística, como adiante se relata através de excertos de uma “recordativa mensagem”, brochura ricamente ilustrada, assinada pela totalidade dos executantes da Filarmónica e elementos ativos do Grupo Cénico, que lhe foi entregue no momento da “inauguração da sua fotografia na casa do ensaio”.
Recorda-se:
Quando a nossa coletividade se encontrava deveras desorganizada e em decadência, mesmo à beira do abismo, assumiu a responsabilidade de recompor o conjunto musical…”.
“Compreendido nas suas intenções de fazer mais e melhor que no passado, depressa se insinuou, criando fama e respeito de tal forma que, em pouco tempo, apresentava em público além da música bem tocada, outras modalidades de atração e recreativas com as quais conseguiu magníficos resultados e bastos aplausos…”
“(…) Para diferenciar os programas artísticos que idealizava sem longos compassos de espera, na esperança de proporcionar ao auditório mais distrações interessantes e culturais, organizou com o encargo de ensaiar, o “Grupo Cénico” que deu algumas récitas e saraus no antigo “Cine Teatro Barrilense”, de saudosa memória, e a pedido noutras localidades circunvizinhas. Desses agradáveis espetáculos recordamos com saudade a representação de uma Revista / local, com letra e música da sua autoria, assim como outros números que causaram sucesso...”.

Revista à portuguesa” ou “Opereta
A “recordativa mensagem” é, toda ela, da redação da ideia com que se homenageia o maestro Vinagre à caligrafia, em itálico, uma vénia às suas qualidades artísticas, disponibilidade de pedagogo e espírito de sacrifício.
Agora, o destino, através de um amigo do peito, Armando Bernardo, deixou nas minhas mãos as partituras da obra, que o autor do reconhecimento público apelida de “Revista /local” – (peça de teatro, de crítica a factos, costumes e tipos conhecidos). João Vinagre, por seu turno, chamou-lhe “Opereta” - (espécie de ópera ligeira, de texto simples e feição popular).
Esta “Opereta”, depois da introdução musical, está dividida em vários quadros, cada um com o seu título: “A nossa terra”, “Fado”, “Canção das rosas, “Flores de abril”, “Serenata” e “Saudação ao Barril - tema que encerrava o espetáculo, e ainda na memória do tempo quando os barrilenses se (re) encontram com a sua Filarmónica.
Pela “voz” do saxofone, o Armando  desenrola os andamentos e encanta-me com a sonoridade das notas: umas “alegres e corridas”, outras  “suaves e intimistas”…
Diz ele, o meu amigo do peito:
- Com saúde, tempo e a indispensável ajuda de outros músicos, sou capaz de “tocar aquilo tudo”…
Faltam as letras e as vozes – mas isso também se arranja: ”os Barrilenses são assim”! - ou não fossemos herdeiros de “(…) teimosos e cabeçudos Beirões, como disse o poeta Miguel Torga, a propósito da construção do Teatro Alves Coelho, em Arganil, “erguido por teimosos e cabeçudos Beirões, da mesma maneira que antigamente se construíam as Catedrais, trazendo cada um a sua pedra”.
… Então, que comecem os ensaios da “Opereta”… ou da “Revista /local”!
CR